Socialização da burrice
Não sei bem se é ''socialização'' ou ''capitalização'' da burrice o que estamos assistindo na campanha eleitoral, tanto a nacional quanto a nossa. Autóctone. Quando uma pessoa qualificada como Serra propõe o 13º para o Bolsa Família percebe-se que é outro cara que fala ou que pensa por ele, um desses gênios do marketing. É a abdicação do pensamento.
Aqui temos a preocupação com o leite das crianças que Beto Richa não despreza e antes pelo contrário pretende até ampliar, quem sabe vitaminá-lo. O apagão é moral e intelectual, o que há de baixaria, de lado a lado, estarrece. E, para completar, a Justiça Eleitoral dá a sua contribuição: primeiro impugnando as pesquisas de instituições nacionais e aceitando a de um instituto regional contratada por emissoras comandadas por um dos chefes da campanha de Beto Richa no Oeste; e, depois, surpreendentemente, ditando que a sondagem liberada não pode ser divulgada no horário eleitoral, após ela frequentar twitters e blogs o dia inteiro.
Essa constatação de ausência de espírito, e falta de ideias, leva o analista a sentir-se como um coprologista no laboratório clínico a procurar nas fezes ovos de parasitas e celebrá-los como o garimpeiro quando se vê diante de um diamante no fundo do rio ou o faiscador no sinal de ouro. A do Paraná é pior que a nacional, ainda que haja aqui a riqueza de uma sociedade em mudança e na qual os problemas e as tensões são facilmente identificáveis.


Recursos
O Ibope ingressou com recurso contra a interdição da sua pesquisa. O pior é que os órgãos contratantes, como parte legítima, não secundam essas reações quando investem pesados recursos nesses contratos.


Muro
Frase de Alvaro Dias: ''Eles (a turma do Beto Richa) me derrubaram do muro e, pelo menos, eu caí do lado certo''.


Humor
Outra coisa terrível na campanha local é a falta de humor quando o material é farto. Tom Cavalcante, da Record, dá um show satirizando políticos mineiros e chamando Patrus Ananias de ''Pra Trás'' e Hélio Costa de o ''De Costas''. Num programa de alta criatividade do Osmar Dias em que se exibia a persistência das várias mídias, no mundo rural e urbano, a sequência mostrava no curral um equipamento de som. O cientista político, Eduardo Schneider, sugeriu um texto para fechar a cena: ''Conversa mole para boi dormir''.


Investigação
O Sindimoc, dos motoristas e cobradores, é um sindicato muito rico. Liga-se em patrimônio de R$ 10 milhões e, além das cestas básicas que ele intermedia, recebe nada menos que 3% das tarifas que o povo paga. Dá para imaginar a fortuna que isso rende, talvez a causa das disputas, inclusive com mortes. O que tem de ser examinado é o relacionamento pactual, histórico, das empresas com a Urbs, gerenciadora do sistema, e o Sindimoc. Se isso for feito, teremos no âmbito da Prefeitura de Curitiba algo tão grave quanto o que foi apurado até hoje nos desvios do Legislativo estadual.

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