LUIZ GERALDO MAZZA
O início da debandada
Curitiba está no mapa eleitoral do Brasil não apenas por sua importância (urbana, cultural, lançadora de novidades) como colégio relevante, como ilha interditada a pesquisas, mas também como possível causa geradora da boa parte dos transtornos de Dilma Rousseff. É que em áreas evangélicas é assustador o número de pessoas que se desligaram da coligação por força da pregação de um pastor batista, Paschoal Piragine, aqui de Curitiba, que circulou na internet sobre iniquidade quanto às posições sobre aborto. E do púlpito pregou que a iniquidade é quando se acostumam tanto ao pecado que depois não sabem como contê-lo, o que atribui ao programa do PT, especialmente na questão relativa ao aborto.
Quando todo mundo pensava que se repetiria aqui o havido nos Esteites com blogs e twitters, vimos aflorar justamente formas inesperadas de religiosidade capazes de influir no eleitorado e num plano mais primitivo.
Dilma acusou o golpe e teve ontem reunião com católicos e evangélicos para tentar conter a onda, um desmanche, inclusive negando que tivesse dito que essa eleição nem Cristo lhe tiraria.
Pesquisas
O Ibope da Confederação Nacional da Indústria crava Dilma em primeiro turno com 55% dos votos válidos, o que soa distanciado do Datafolha que, considerando a queda constante dos índices da candidata líder em favor de Marina Silva, vê um viés de segundo turno. Essa divulgação um dia depois da pesquisa paulista tem força neutralizadora inegável e contribui para a arregimentação oficial que busca decidir o pleito já.
O presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, antes do ''aquecimento'' da eleição, tinha declarado a uma revista nacional que Serra venceria. Isso não é estranho nesse meio porque Marcos Coimbra, do ''Vox Populi'', escreve artigos de sistemáticos elogios a Dilma Rousseff no ''Correio Braziliense''.
Quem é melhor
Com níveis semelhantes de credibilidade, Ibope e Datafolha às vezes divergem, como se dá agora. Quem previu que Lula e não Brizola iria ao segundo turno com Collor foi o Datafolha entre outros feitos. Se errarem por exagero, agora todos acabam perdendo e julgados severamente.
Folclore
Nos célebres 12 dias que Lerner venceu em Curitiba, um jornal peemedebista divulgou uma pesquisa atribuída ao Instituto Aurora, obviamente inexistente, em que Maurício Fruet, a partir da zona 145, viraria o pleito. Agora pegaram um discurso de Osmar Dias no Senado pedindo cadeia para Ibope e Datafolha. Agora quer que uma cadeia de TV os divulgue.





