LUIZ GERALDO MAZZA
Uma estranha exceção
O Paraná já ganhou uma posição diferenciada na constelação nacional nessas eleições: é um dos poucos Estados em que os agentes políticos estão impedidos de ter acesso às pesquisas eleitorais. Certamente não seriam motivações de traço genérico que levariam a Justiça Eleitoral a proibi-las. É que pesquisas são indispensáveis em eleições democráticas aqui ou em Caixa Prego. E se a aliança tucana a adotou é porque detectou fatos que as deformariam e de tal forma que poderiam ter influência direta no pleito. Essa cautela não a impediu de valer-se de uma pesquisa não autorizada, mas a seu favor, para a imediata divulgação.
Vários institutos, dentre eles o Ibope e o Datafolha, de notório gabarito, foram alvo da interdição e certamente entraram com os recursos para a indispensável salvaguarda de suas respectivas imagens em torno dos questionamentos feitos sobre metodologia, afinal não suscitados antes quando os números lhes eram favoráveis.
Num momento em que a Justiça brasileira é colocada em questão com a notória perplexidade no empate dos fichas-sujas a eleitoral é que se torna mais emblemática em decisões que por vezes se conflitam ante a necessidade de uma atuação rápida. O ativismo judicial recente permitiu que antigas omissões legislativas fossem ''supridas'' mas não operou num episódio-chave da vida brasileira, o dos fichas-sujas, originário de uma lei de iniciativa popular de fortíssima repercussão e de profundo alcance nos nossos costumes políticos e de práticas eleitorais.
Tudo na mesma
Perspectivas sombrias para o futuro do Paraná em termos de expressão nacional por não vermos nas candidaturas, que polarizam a disputa, condições para uma recuperação desse nosso atraso. O pior é que quanto mais nos firmamos nos indicadores de desenvolvimento, como se deu recentemente, em que aparecemos no ranking, logo após São Paulo, cresce a distância do trato, tanto que Santa Catarina ao nosso lado, pelo que faz na sua estrutura portuária, é um exemplo sobre o qual não cabe discussão.
Pesquisas
Há, no TRE, nada menos de oito pesquisas autorizadas. Resta saber se não teremos novas impugnações. A pesquisa fajuta, não autorizada, que dava Beto Richa na frente deu multa e na reincidência da publicação na internet. Da Istoé, que dava Osmar na frente, também não autorizada, a revista vai divulgar uma retratação. O cálculo de um matemático, que dava Osmar na frente, se mnantidas as posições anteriores, deu origem à multa a jornal e jornalista, com voto de minerva da presidente Regina Portes, pois a matéria estava empatada. Como se vê, o clima é tenso e o tapetão a prioridade. Aí, há mais emoção do que na campanha meio frouxa e de escaso conteúdo.
Tiririca
Esforça-se o Ministério Público para provar que Tiririca, possivelmente o mais votado dos deputados, é analfabeto. Isso que surge como providência excepcional deveria constituir-se rotina, embora pior do que está também um analfabeto não fica.





