LUIZ GERALDO MAZZA
Pesquisas eleitorais
Cada vez que as pesquisas eleitorais levam o nervosismo aos comitês envolvidos há um momento em que se cogita da medida radical: o pedido de proibição de divulgação dessas sondagens. É claro que os que fazem um tipo de pleito dessa ordem ficam expostos como tementes aos resultados e, portanto, evidenciando uma fraqueza inaceitável num tipo de jogo em que tudo recomenda a postura dos praticantes do pôquer.
Embora pesquisas estejam sujeitas a erros, como já tivemos aqui o caso do Ibope que atribuiu menos de um dígito a Rubens Bueno na eleição da capital quando chegou a justamente 20 pontos, faz parte do processo de todo o mundo essa prática indispensável para todos os agentes interessados, eleitores, partidos, coordenadores, financiadores. Fugir delas é, como se diz, equivaler à quebra do termômetro para não conhecer a febre.
Pois o PSDB está empenhado, e naturalmente possui argumentação para tanto, em que não seja divulgado um Ibope contratado para a região de Foz do Iguaçu, cenário apropriado porque o derradeiro comício de Lula foi justamente lá. E quem o contratou foi a Associação Comercial e Industrial da cidade. O trabalho de campo já estava sendo desenvolvido do dia 15 até amanhã e abrangia vários municípios da região e verificaria não apenas os pleitos para presidente, governador, senador, mas também para deputados, estaduais e federais. Pesquisa em cima de eleições proporcionais é complexa pela diluição dos registros e o número de candidatos.
Equilíbrio
Se nos basearmos no Datafolha dá para perceber que ao longo das sondagens, em número de cinco, o ponto de partida, de 23 de julho, é praticamente o mesmo da mais recente, de 16 de setembro: na primeira Beto Richa vencia por cinco pontos em 43 a 38 e na mais atualizada deu 45 a 40. Só em agosto é que Beto se distanciou em 12 pontos (46 a 34) e a 13 (47 a 34). Caberia aos analistas apurar as razões daquela disparada momentânea.
Teremos mais Datafolha com trabalhos de campo nos dias 21 a 23 e obviamente todas as áreas são interessadas em monitorar as oscilações da opinião pública e, com esses elementos, orientar a sua atuação na continuidade do processo. Não há qualquer motivo para exageros como se notou na comemoração fogueteira dos números do mais recente Datafolha, por parte da coligação chapa banca; a quase repetição dos indicadores da primeira pesquisa recomendaria cautela de ambos os lados pela verificação de que não havia fato novo. E também nada justificaria mau humor com pesquisas e o intento de bloqueá-las.
Se os números estão equilibrados já não se pode dizer o mesmo daqueles que operam nos quartéis generais dessa disputa plebiscitária: o emocionalismo que os marqueteiros tentam passar ao público chega mais rápido a quem está com a mão na massa.





