Subiu como Conceição?
Inegável a recuperação da candidatura Osmar Dias nas duas mais recentes pesquisas DataFolha e Ibope. Nada justifica, porém, a especulação de que se mantida a velocidade de ascensão de um e queda de outro teríamos uma data pré-determinada, como se estivéssemos numa disputa de Fórmula 1, o bólido chapa branca (estadual e federal) superar o de Beto Richa. Este, aliás por seus pendores automobilísticos se irrita mais com a analogia do que com a eficácia da previsão. Já passou por várias dessas tanto em eleições propriamente ditas quanto em competições de kart e protótipos e se deu muito bem.
O que ocorreu é compreensível: havia um pouco de irresponsabilidade no excesso de triunfalismo tucano, que anestesiava seus comitês, e se agora, por exemplo, se faltar grana para sustentar a campanha, evidentemente seriam maiores as dificuldades de obter recursos com o oponente em recuperação. Quando o clima do ''já ganhou'' predomina é difícil o raciocínio, risco que agora se transfere para os situacionistas.
Teremos mais sondagens, inclusive com mais abrangência, na semana e dará então para saber se o ocorrido é acidente ou indica uma tendência. Um arranque de foguete pode, como se deu antes com Beto, significar o teto e aos críticos restará a compensação de lembrar da Conceição, do Jair Amorim e Dunga, que fala de quem se subiu ninguém sabe e ninguém viu.


Três por cento
Pelo jeito não será desta feita que se apurará o que de fato ocorre na relação pactual entre a prefeitura da Capital e o cartel do transporte coletivo. Prisões como as do vereador Denilson Pires e do ex Valdenir Dias atendem a um apetite da sociedade do espetáculo, botam em alta a atuação do Ministério Público (Gaeco), mas não asseguram investigação ampla. Se tal se fizesse -e é indispensável que em algum momento isso aconteça- daria para perceber que nada menos de 3% das tarifas vão para o sindicato obreiro que conta com vários serviços assistenciais e um clube campestre, sem falar ainda na questão das cestas básicas que fazem parte da planilha.
Um quadro, enfim, bem ao nosso estilo, aquele que se consagrou na investigação do legislativo, um hábito de quatro décadas, quase tanto tempo quanto o do pacto dos ônibus de meio século. Seguramente, como tudo deste país incrível, nada republicano.


70% de indecisos
Embora nas eleições majoritárias (governo e Senado) a taxa de indecisos seja pequena, nas proporcionais ela é enorme chegando nas parlamentares, estadual e federal, a cerca de 70%. E é compreensível em função da mensagem fragmentada dos programas de rádio e televisão e do estrito espaço das mensagens, o que às vezes lembra a fieira de ''slides'' do tempo de Armando Falcão.

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