LUIZ GERALDO MAZZA
Representatividade zerada
Não dá para comparar no Brasil meridicional, no suposto Sul Maravilha, a expressão nacional de catarinenses e gaúchos em relação aos paranaenses. Trata-se de uma situação inaceitável até porque os quadros de lideranças daqueles estados nada têm de excepcionais. Se observarmos a partilha de recursos orçamentários já percebemos ali a diferença fundamental sem falar no BRDE, cuja ação só agora se reequilibra, depois de muito tempo de obsequiosa submissão no racha dos financiamentos.
Se é verdade que sofrem, como nós, as consequências da falta de renovação percebe-se que andam mais atentos nas relações com órgãos federais. Tivemos em passado recente melhores quadros técnicos na administração pública e capazes de valer-se de órgãos como o Codesul, Conselho de Desenvolvimento do Extremo Sul, uma área de permanente fermentação de teses de interesse comum.
Não parece que os candidatos à sucessão tenham ideias firmes a propósito de tema tão relevante já que as duas campanhas repetem os mesmos chavões de sempre, num tedioso refrão de generalidades. O fato, por exemplo, de Lula estar bombando, presumivelmente, a candidatura de Osmar Dias também não assegura que essa aliança, hoje indispensável, em caso de vitória, se repetiria num plano administrativo futuro.
Relação com Lula e FHC
As experiências recentes dos governos Lerner e Requião mostram que nenhum deles se aplicou simplesmente nas relações com a bancada. Com Lerner deu para ver, no caso famoso dos protocolos das montadoras, segredo de Polichinelo, como o governo se articulava mais com as representações do empresariado e que contava com a posição crítica de Requião e Osmar fazendo proselitismo de oposição em cima do evento. Dos senadores, apenas José Eduardo Andrade Vieira defendeu as ações do governo para a transformação industrial.
Houve uma tolice também da parte da gestão Lerner em criar tanto mistério em torno dos tais protocolos como se fossem aqueles históricos dos sábios do Sião já que não se justicava, embora o andamento da guerra fiscal, a cautela e até o bom exercício da democracia reclamaria o amplo conhecimento do assunto.
Já na relação Lula-Requião vimos a insistência com que o governador da terra se aferrava a posturas nacionaleiras e trazia inclusive para os ataques ao presidente figuras (que acabou empregando na TV Educativa) como a de Cesar Benjamin, um dos fundadores do PT nacional, Bautista Vidal e o jornalista Mino Carta, todos fazendo coral de crítica ao perverso modelo neoliberal e ao pragmatismo do governo nacional, numa doutrina inconsequente e retrô.
O Paraná abandonou sua infraestrutura, da portuária (onde os impactos foram os mais devastadores) à rodoferroviária e aeroportuária, e não soube sustentar reivindicações como se viu na marcha lenta do processo de anulação da multa da Secretaria do Tesouro Nacional. Não há o mínimo sinal de que melhore o nosso nível de representatividade, ganhe quem ganhar.





