LUIZ GERALDO MAZZA
A fuga sistêmica
O Brasil está em chamas com a estiagem e isso não consta da pauta eleitoral. Há invasão de hotel granfo no Rio por narcotraficantes e não se vê o tema em debate. No Paraná o processo contra a libertinagem na Assembleia é reaberto e o fato é esquecido. Da mesma forma o Porto sofre intervenção, eufemisticamente chamada de administração compartilhada com a União, e sabe-se que a Receita Federal está de olho em roubo de cargas que atingem a imagem do terminal em nível internacional. Candidatos e partidos falam de um país e regiões em processo de idealização, um paraíso. O chefe da orquestra, no entanto, é um só: o presidente da República ironicamente com um discurso muito parecido com o dos milicos nos anos de chumbo e do Brasil grande. Só que jamais alcançaremos, a despeito da euforia triunfalista, o PIB daquele tempo.
Ópio
Democracia deveria ser o pio do povo e se transforma, na campanha eleitoral, em ópio do povo, como Marx falava da religião.
Osmarilma
Em Minas Gerais o candidato do PSDB, Antonio Anastasia, cresceu 12 pontos e na espontânea já aparece à frente de Hélio Costa que estagnou em 43 e mantém vantagem de 14 pontos. Há um clima de reversão e os osmaristas aqui pensam em algo semelhante. Só que lá há Aécio Neves a sustentá-lo. Criou-se o híbrido Dilmastasia e aqui seria Osmarilma ou Dilmosmar, mais verdadeiro porque da mesma aliança. A deserção da inteligência é um fato.
Justus
Nelson Justus, depois da retomada do processo contra Bibinho, vai continuar chamando de falsas e hipócritas as denúncias sobre a Assembleia? Se ele e o Alexandre Curi se afastassem voluntariamente marcariam ou perderiam pontos?
Folclore
Muito eleitor pretende votar em um só senador apesar das duas vagas. Em 1962 (naquele tempo não havia o voto eletrônico, mas já tinha horário eleitoral gratuito) tivemos nada menos de 347.346 votos em branco. E 59.458 nulos. É uma ilustração e uma advertência. E havia em 62 três ex-governadores na parada.
Compadrio
A reversão do processo em torno das denúncias do legislativo inclusive a prisão do Bibinho dividiu a sociedade paranaense: uma parte apenas celebrou o fato e outra o lamentou. Especula-se agora se isso terá efeito eleitoral. Se tiver no criminal já é muito para os nossos padrões de acomodação.
Ofensiva
No retorno de Orlando Pessuti tem-se como certo que se empenhará em romper os nós do Porto, do pedágio, das PCHs, vale dizer da Copel. Está disposto a fazer em sete meses mais do que o antecessor em sete anos, inclusive nos investimentos privados que estimularia.





