LUIZ GERALDO MAZZA
Na Disneylândia
A ida de Orlando Pessuti para Noviorque, com justificativa suficiente na homenagem da maior bolsa do mundo à Copel, é alvo de exploração política pelo fato de pretender dar uma esticada na Disneylândia em que os críticos enxergam e sugerem até falta de lealdade com a campanha de Osmar Dias. Claro que tal conclusão é parte do repertório viperino do seu hoje adversário, Requião.
São várias redundâncias geográficas e culturais. Um dos seus destinos leva o seu prenome, Orlando. E lá estará próximo do Tio Patinhas, certamente pobre diante dos recursos levantados pelo PT nacionalmente, e descobrirá no Pateta muitos dos quais com quem é obrigado a conviver no exercício diário da política no mundo da província.
Dado importante da presença do governador na bolsa é a sinalização positiva que vem dando à Copel, desatando os nós das dificuldades criadas por seu antecessor com as PCHs, usinas de pequeno porte, desobrigando-as do sufoco da camisa-de-força de uma associação minoritária com a estatal e ainda por cima assumindo, em leilões, a construção de linhas de transmissão em São Paulo e até mesmo de uma usina de porte no Mato Grosso. Despolitizar a Copel é por sí só um avanço considerável e que a afasta do imobilismo e da retórica inócua, como se viu nos últimos tempos.
Turin
Circula nos meios culturais a notícia de que herdeiros do escultor João Turin estariam negociando a venda do acervo artístico a um grupo privado. Com isso se restabeleceu a discussão em torno desse tipo de patrimônio e até que ponto deve existir o comprometimento estatal. Se o governo não estiver cuidando adequadamente talvez se justifique.
Não somos ciosos nessa matéria: a maior biblioteca paranaense até anos 60 do século passado, de Adir Guimarães, não foi adquirida pelo governo Pimentel e ela orna hoje na Austrália um setor importante de bibliofilia da Universidade de Camberra.
Precatórios
Um divisor de águas forte no legislativo em função do decreto de Pessuti que criou um comitê para examinar o pagamento de dívidas fiscais com precatórios. Pelo menos essas coisas hoje se discutem: antes seria impossível, já que o ponto de vista dominante seria o do governo. A reação da Procuradoria Geral do Estado foi fundamental. Requião ameaça Pessuti nesse caso com ação popular.
Colar em Lula
Esperança final dos osmaristas na campanha eleitoral é que sua imagem cole na do Lula, tal como pretendem fazer em São Paulo em favor de Aluísio Mercadante. Lá é bem mais difícil do que aqui. O eleitorado separa as duas eleições como dá para ver nas pesquisas.
Folclore
Para uma candidatura colar na outra é preciso ser radical como Ney Braga em relação a Jânio. Quem é Ney é Jânio, quem é Jânio é Ney. A simetria de supostos princípios operou a favor. Mesmo os neystas diziam que Jânio Quadros era a UDN de porre.





