Comprometimento geral
De fato a questão suscitada no debate de quinta-feira da Band - o estágio de criminalidade permanente da Assembleia Legislativa - deveria, obrigatoriamente, estar na pauta da sucessão. Em primeiro lugar porque havia conivência intrapoderes e mais ainda da própria sociedade paranaense que não ignorava o que lá ocorria. Por atingir figuras relevantes das alianças partidárias que disputam o pleito o tema foi, hipocritamente, driblado. Ficou no ar a provocação e é de esperar-se que a partir de agora o público se manifeste pelas redes sociais e cobre de todos um gesto de responsabilidade.
É quase certo que não haverá a renovação esperada na Casa em razão do impacto das denúncias. Apesar da intensa divulgação na multimídia (TV, rádio, jornais, revistas e internet), e de haver atingido especialmente a área que se considera formadora de opinião, a maioria está por fora e não apenas por uma questão de não conhecimento, mas em função também do ceticismo larvar que toma conta do público. Uma das causas é o andamento do processo do mensalão no STF e que só agora, com o retorno do ministro Joaquim Barbosa, ganhou animação.
Se matéria daquele porte, com todo o detalhamento operacional, encontrou tanta resistência há de compreender-se que um tema regional, grave mas de menor dimensão, haveria de encontrar focos de resistência.

O lado psicopedagógico
Volto a um tema: o envolvimento de poderes de Estado nas conivências bastante semelhantes às da Assembleia. Em 1970, depois de longo tempo sem obter emprego por responder processo militar e ser atingido pelo Ato 1, este do governo estadual, que me colocou em disponibilidade, fui convidado simultaneamente pela FOLHA e TV Paranaense para trabalhar. Na TV fiz, durante algum tempo, um programa de esporte, mas acabei recebendo uma proposta para dirigir o telejornalismo. Só que havia um detalhe surpreendente: o Tribunal de Justiça é que pagaria o meu salário como já acontecia com o meu antecessor no posto. Aleguei que não poderia fazê-lo pela circunstância elementar de ser procurador do Estado e de me encontrar alcançado pelo Ato Institucional e ainda respondendo processo militar o que comprometeria a instituição.
Era comum esse convívio promíscuo entre os setores público e privado na área do jornalismo. Diretores de meios de comunicação social de Curitiba mediavam nomeações de funcionários não apenas dos próprios veículos como também dos seus círculos de relacionamento. O mais forte era no Legislativo, mas tal se dava extensivamente nos demais poderes.
Aliás uma das características do jornalismo era essa atividade de operar como ''bico'' e boa parte dos profissionais ocupar cargos públicos, uma das causas da leniência, da ausência de espírito crítico, expressa ainda no generalizado hábito da ''subvenção'' com os jornais se habilitando nas faturas com o recorte do material chapa-branca divulgado. Que tal uma purgação de culpas em torno dessas contingências? Republiquemo-nos.

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