Reprise da burla
Quando se iniciaram os primeiros atritos entre o governador e seu vice, os analistas num exercício comparativo imaginaram em quais situações anteriores ele, no caso Orlando Pessuti, se enquadraria. Houve a lembrança do estadista (poucos merecem a classificação) José Hosken de Novaes que substituiu Ney Braga e agiu como um magistrado não empregando a máquina em favor de Saul Raiz que convenhamos era muito mais gestor do que o vencedor, José Richa, que se beneficiou da aura do regime militar que prejudicava os situacionistas, ainda que, quando prefeito de Londrina, tivesse toda cobertura do neysmo federal para suas obras pela turma do BNH e Caixa Econômica Federal.

Outro paradigma lembrado, e esse de continuidade tranquila, era o de João Elísio, vice de Richa, que completou a gestão sem conflito.

Um pouco de trauma
Depois tivemos o caso traumático no governo Alvaro Dias em que este sacrificou sua candidatura ao Senado pela aberta campanha que o vice Ari Queiroz fazia, na hipótese de assumir o governo, em favor de José Richa e permaneceu no posto para eleger Requião, inclusive com participação direta no estelionato eleitoral ''Ferreirinha'' com apoio do irmão Osmar.
Buscava-se saber em que linha Orlando Pessuti agiria, uma vez que ficou por dois mandatos como substituto imediato de Requião e perguntava-se se atuaria como Mario Pereira que, agredido, pelo titular passou a afrontá-lo montando sindicâncias como a das ''diárias frias'', ora constando da retaliação atual na Secretaria de Educação, durante longo tempo ocupada pelo mano Maurício.

Autofagia em cena
Costuma-se, com certa frequência, dizer que a autofagia é nossa marca registrada como se tal só se desse no Paraná. E olhá-la ainda como perversão quando, na realidade, funciona como virtude por romper o compadrio da praça e os silêncios como esse que sepultou a sordidez intrépida do Legislativo estadual por 40 anos com o apoio sinistro da sociedade cartorial.
Há até a piada clássica em cima dos símbolos heráldicos do Paraná como a história do lavrador que está ali com a sega à mão para cortar a cabeça do primeiro coestaduano que tente aparecer. Na verdade isso não ocorre, já que os mesmos que gostam de aparecer, o mais das vezes sem mérito, continuam o seu desfilar na passarela.
As cutucadas seguidas de Requião em cima do seu substituto legal chegaram ao auge quando o ex-governador nada fez, embora tanto discursasse sobre o mérito da candidatura própria do partido, tanto nacional como regional, naquela ele como o ungido, e isso foi visto por Orlando Pessuti como sabotagem. Bastou assumir o governo para substituir os mais identificados com o antecessor, a partir do titular da Segurança, Delazari. Como as provocações continuavam, Pessuti conseguiu manter o controle no PMDB, deixou mal Requião com a solução da multa da Secretaria do Tesouro Nacional em que atuou junto com o senador Osmar Dias que se arrastava há anos. E agora a fúria se acentua estimulada pelas ironias de Requião no ''Twitter''. Sabe-se como essas questões começam; nunca, em hipótese alguma, como terminam. Pode até dar devassa.

mockup