O menos ruim
Há muito tempo nas eleições faço a opção pelo ''mal menor'', não aquele sacramentado na interpretação de São Tomás de Aquino, mas o caracterizável como ''menos ruim''. Houve até uma situação curiosa numa conversa com o candidato José Carlos Martinez em que ele quis saber o sentido do ''mal menor'', já que eu preferira como ''menos ruim'' o Roberto Requião. Acabei fazendo uma blague com a questão da altura entre ele e o seu adversário e que nesse item ele era claramente o ''mais menor'', não o ''mal menor''.
Apesar de estarmos diante de um pleito plebiscitário e fortemente dependente do mais abrangente e nacional se é difícil apontar o ''melhor'' é também de extrema complexidade apontar o ''menos ruim''. Com uma desvantagem ainda da nossa eleição regional diante da nacional, aquela tem uma alternativa em Marina Silva que expressa o próprio ideário do ambientalismo e nesse sentido repõe no pleito a utopia que em eleições passadas, até a Queda do Muro, se constituía, num mundo cindido, numa necessidade imperiosa, radical.
A daqui ainda carrega um complicador: os disputantes, até bem pouco, estavam na mesma trincheira e indicando uma parceria que foi capaz de unir, como em raros momentos da história paranaense, uma constelação fortíssima de partidos, uma armada invencível na eleição de Curitiba. Assim, já na caracterização dos candidatos, deveremos levar em conta essa aliança ainda fresca e que só deixou de existir à undécima hora quando, com mais solidez de garantias, Osmar Dias, também pressionado por seu partido, o PDT, decidiu enfrentar a parada, ainda que até ali pudesse, no grupo de Beto Richa, disputar a reeleição.

Vamos às propostas
Há uma vantagem, sob o ponto de vista geopolítico, para Beto Richa de ser um natural de Londrina que chegou vitorioso à administração da capital. E como é londrinense não reabre aquele debate de origem geográfica tão comum. Mas aí o próprio Osmar Dias também se ajusta e em função especialmente da eleição em que quase derrota o governo.
Livres da questão da origem, resta saber quais as vantagens de currículo e em que medida estão realmente ajustados ao PSDB e ao PT, afinal as forças em choque na eleição nacional e que tanto condicionará e irrigará a local.
Percebe-se nas primeiras escaramuças que há uma cobrança quanto a um suposto compromisso de um e de outro: de Beto Richa há a gravação de que concluiria a gestão na prefeitura da capital e de Osmar Dias confidências que teria tido de apoio a José Serra. Como diria FHC isso é nhenhenhem. Não leva a lugar algum.
Evidenciadas as afinidades, urge conhecer - e aí com maior profundidade - as divergências mais sérias, se é que existem. E ao eleitor além das propostas caberá identificar os interesses de grupos econômicos que gravitarão em torno das candidaturas, hoje afastado o véu sigilo que tornava isso indecifrável.
É preciso um esforço hercúleo para uma medida precisa do ''menos ruim''.

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