Copel manipulada
Relações da Copel com governantes normalmente não são saudáveis. Todos, de um modo geral, uns mais e outros menos, usam a empresa para seus propósitos. Os dois últimos governos, sequenciais de Lerner e Requião, foram um exemplo: um tentou vendê-la, é claro observando um modelo em voga, e outro, por várias vezes, além de agredi-la quis usá-la para seus propósitos como o seu envolvimento na licitação de estradas pedagiadas. As agressões atingiam o seu corpo técnico (a usina de gás de Araucária iria explodir, a barragem de Salto Caxias romperia a qualquer momento) e não havia reações da sua diretoria, mesmo quando presente aos destemperos do governador de plantão.
Normalmente esses dirigentes esquecem que a empresa tem 60% do capital social em mãos particulares e acham que o direito de gestão, por ter o Estado a maior parte das ações com direito a voto, tudo permite. A própria intervenção no fundo de pensão da estatal tem um pouco desse desfrute irresponsável.
Agora estão assanhados com a possibilidade de botar a mão no patrimônio da empresa para concluir a Arena da Baixada no embalo da Copa de 2014 e ninguém ouve o que os dirigentes da Copel pensam da proposta, eivada daquele primitivismo assistencialista que exigia que o Porto de Paranaguá garantisse o salário dos jogadores do Rio Branco. Em 1955 um acionista minoritário, o advogado Rubens Requião, levou à Assembleia da empresa a denúncia de que o seu presidente, José Lupion, irmão do governador, tinha áreas que lhe pertenciam no trajeto das linhas de transmissão da empresa. Moisés demitiu José e isso dá uma ideia de como os acionistas podem reagir em mais esse transbordamento de políticos.

Jocelito
Com Jocelito Canto aprende-se que só pode ser livre atirador quem desistiu de disputar eleições. Ele é hoje, descontado o estardalhaço de estilo, expressão da autocrítica do poder. O exagero é o caminho da didática veemente.

Militância
A vinda de Serra mostrou que a militância (isso ainda existe?) falhou e agora a turma do PT - especialmente acoplada à do PMDB - quer mostrar que haverá maior calor na recepção hoje a Dilma Rousseff. Esse pessoal é mais profissional até porque ocupa o aparelho de Estado com maior abrangência.

Folclore
Osmar Dias e Roberto Requião, ambos envergando a grife Lacoste, eram, ao ver do cientista político Eduardo Schneider, a expressão mais requintada da Conferência de Puebla e da opção pelos pobres.

Bloqueio
Orlando Pessuti não se conforma em não poder afastar a mulher e a irmã do ex-governador do MON e do Provopar e avalia outras formas de prejudicar aquelas instituições bloqueando recursos. Desgaste inevitável.

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