LUIZ GERALDO MAZZA
Divisor de águas
O alinhamento do ex-prefeito Cassio Taniguchi com Beto Richa é normalíssimo porque o candidato a governador do PSDB foi uma continuidade orgânica do grupo lernista que por sua vez aparenta ser um neo-neysmo. O fato de Taniguchi não ser candidato, até porque a Lei da Ficha Limpa o fulminaria, não anula o peso e o símbolo de sua presença na campanha.
De certa forma a única expressão do lernismo, que se aproximou de Requião, a do ex-prefeito, ex-deputado e ex-ministro Rafael Greca, revela que cobranças de autenticidade não se prestam em disputas eleitorais. O grupo que marcou a vida de Curitiba está em maioria esmagadora com Beto Richa como o próprio pai, José Richa, em algumas ocasiões, ficou com esse time.
Curitiba está com o seu propalado modelo em exaustão: ontem mesmo deu para percebê-lo no excesso de gente em estações-tubo e nos terminais mostrando que o sistema dos transportes, tão exaltado, dá sinais de decadência e de falhas nas operações de monitoramento pela Urbs.
É hora de haver no campo das propostas algo que ponha abaixo esse mitos e mesmo a eleição sendo estadual indispensável seria essa abordagem para revelar inconformismo e discordância para que não se prometa amanhã levar essa suposta eficiência a todo o Paraná. São, a rigor, as mesmas forças em choque restando que caiba à oposição melhor papel do que das ocasiões anteriores com Ângelo Vanhoni, duas vezes, e com Gleisi Hoffmann mais recentemente. Só não repitam a charanga, por favor. Vão fundo, que esse é o sentimento de uma hora em que se fala em ficha limpa e em devassar tudo.
Caixa dois
Uma afinidade entre Beto Richa e Cassio Taniguchi: o caixa dois. Só que não dá para comparar o peso das denúncias levantadas contra o ex-prefeito mais antigo com a do mais atual, essa de menor relevância e talvez até por isso, na dissidência do PRTB, revelando menos conhecimento dessas artes.
Audiência
Na audiência pública sobre a Copel e a proposta do Romanelli de pegar grana da jóia da coroa para privilegiar o Atlético Paranaense é indispensável saber o que a estatal acha disso e num momento em que taca uma facada de 15% nas tarifas do consumo de energia. Por sinal que a Copel também responde pelo baixo investimento estatal entre 2000 e 2009. Sair da estagnação para uma empreitada dessas é de lascar.
Paranaguá
Muita bronca em Paranaguá - e isso foi visto agora na Festa da Tainha- por causa do mau cheiro provocado pelos resíduos fermentados de soja na cidade. O prefeito Baka replicou é o cheiro do progresso. Quando a cidade recendia café, instante em que Paranaguá se transformou no maior porto cafeeiro do mundo suplantando Santos, ainda valia porque o progresso era visível e não havia as chagas sociais de hoje. Só chagas e resíduos.
Impugnações
Hoje serão conhecidas impugnações da Lei da Ficha Limpa. Podem decepcionar.





