LUIZ GERALDO MAZZA
A carência essencial
Conforme uma das leituras de Aristóteles, a carência essencial do homem seria a falta de asas. Pois na eleição atual, o que praticamente inexiste é um mínimo de pensamento orgânico e a repetição tediosa de arquétipos que são puxados por palavras-chave como justiça social, remissão de excluídos e agora essa miraculosa expressão que quer dizer tudo e também nada, sustentabilidade.
A esperança é a de que os temas nacionais e o caráter plebiscitário do pleito maior contamine, nutra, a disputa local com os ajustes que os estafes dos postulantes principais possam estabelecer. A vagueza dos 12 princípios de Osmar é simétrica às generalidades de Beto Richa, essas ainda por cima assentadas na mitologia da cidade-modelo e vulgaridades equivalentes.
Ideias em desfile
Do ciclo virtuoso da história paranaense que vai de Manoel Ribas passando por Munhoz da Rocha, o de maior expressão intelectual, até Ney Braga e os que o sucederam e com menor expressão do PMDB e já evidenciando declínio, tivemos momentos marcados por ideias-força como Paraná Maior de Lupion, o apelo abstrato de Bento por dignificação da função pública, somos todos uma só força do neysmo e que teve continuidade com Paraná, segundo Estado do Brasil de Paulo Pimentel até chegar ao o Paraná é um dever, vamos cumpri-lo do estadista Pedro Viriato Parigot de Souza. Nesse slogan um pouco do drama pessoal do governante minado pelo câncer. A austeridade (que irritava a imprensa sequiosa da ração que a sustentava) permitiu o deslanche que viria com Canet Júnior no mais arrojado plano de pavimentação subdimensionada com 5 mil km e que acabou se transformando em modelo para o Banco Mundial.
Aliás quem melhor conceituou e, consequentemente, praticou o senso de continuidade que deve marcar a sequência das gestões foi Munhoz da Rocha. O falar e o fazer nele eram como um ideograma em que essas peças - a concepção e a realização - caminham juntas, sincrônicas.
Mimetismo tolerável
Há para quem observe com um pouco de humor a cena político-administrativa um pecado venial, fruto da malícia, quando um governante se apropria das obras do antecessor. Em Curitiba isso virou moda porque a ideologia lernerista se inseriu de tal forma no histórico da cidade, como realização e doutrina, que os que o sucederam se valeram desse acervo ainda que minado de impropriedades como a dos mitos ambientalistas quando a bacia do Rio Iguaçu só perde em poluição para a do Tietê de São Paulo.
Na fase mais dinâmica do Paraná, a dos fundamentos da infraestrutura, Ney Braga apropriou-se, por exemplo, de obras quase conclusas do seu antecessor Lupion como se deu com a ligação Curitiba-Ponta Grossa com alguns pontos de acabamento, o que é malicioso, mas fator deflagratório da integração com o Norte na direção de Apucarana e posteriormente do Noroeste. Por sinal, que quem montou a subbase de todo o sistema foi Munhoz da Rocha com o Plano executado pelo engenheiro Luis Carlos Tourinho. Continuidade não é continuísmo.





