O ano vai começar
Costuma-se dizer, com boa dose de razão, que no Brasil o ano começa depois do Carnaval. Como temos Copa do Mundo - e ela proporciona um outro tipo de carnaval, este de natureza cívica - pode-se dizer que 2010 começa na próxima segunda, dia 5, em função da eliminação, bastante merecida, do escrete diante da Holanda. Assim também, já que estamos em ano eleitoral, a campanha se livra das apaixonadas declarações de amor de candidatos e partidos à seleção, alguns vestidos a caráter enquanto deu.
Aliás, há uma correlação profunda entre futebol e política: em ambos os casos a seleção malfeita não é compensável pela escalação. Vale para os craques e para os políticos.

Intriga com trigo
No Paraná um ato do governo Lula - o da redução do preço mínimo do trigo - pode ter efeitos devastadores nas eleições. Isso mina a candidatura Osmar Dias, por todos os motivos, o preferido do agronegócio.

O chefe
Na convenção do PMDB ficou ressaltado que o dono da bola é Orlando Pessuti e tanto que Requião foi estrondosamente vaiado. O partido é hoje composto de figuras das microrregiões e com papel no secretariado. O cientista político Eduardo Schneider deu o nome à montagem desse cenário: operação jeca.

Pé-frio
Sobrou para o presidente Lula parte do ônus da desclassificação do Brasil na Copa do Mundo: pé-frio. Todos se lembram da recepção no Planalto. Curioso é que o DataFolha deu índices altíssimos aos dois (Lula e Dunga) na sua mais recente pesquisa. Se fizerem a pesquisa agora tudo muda de figura.

Folclore
Piada maldosa sobre a aproximação de Osmar Dias, que sempre defendeu o agronegócio, com o basismo petista: ''Só falta ele abrir a fazenda Lagoa da Prata, de Tocantins, para o MST'', ironizam os tucanos.

Atrofia
Há uma convicção generalizada de que o PT com o chapão da aliança vai reduzir a sua representação. Mas a do PMDB, que estava programada para diminuir, pode levar vantagens compensatórias na eleição proporcional.


Serra
Pelo jeito a decisão de Osmar Dias disputar o governo teria influído na vinda de José Serra ao Paraná, ontem em Londrina e segunda em Curitiba. PSDB espera que Alvaro Dias cumpra o prometido: que ajudaria o partido. Quando disputou as prévias no PMDB para a Presidência da República, em que figurou em quarto e último lugar, recusou-se a fazer proselitismo em favor de Ulysses Guimarães. Também Requião, quando perdeu a convenção para Orestes Quércia, agiu da mesma forma e não lhe deu apoio.

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