LUIZ GERALDO MAZZA
O futuro e os Dias
Armando Falcão, o sinistro ministro da Justiça, encerrava seus depoimentos com o lacônico o futuro a Deus pertence. Se estivesse vivo e no contexto da ditadura partidária em que vivemos seria obrigado a alterar o bordão para o futuro aos Dias pertence, nem sempre apenas um, mas impondo o valor clânico da família sobre razões doutrinárias e ideológicas, se é que existem, das agremiações a que se vinculam, curiosamente opostas.
Estampa-se aí a pobreza de quadros tanto a nacional como a regional. Se já é um absurdo a base aliada de Dilma Rousseff ficar na dependência de Osmar Dias como puxador de votos, percebendo-se que em trinta anos de PT não se conseguiu viabilizar um candidato forte e competitivo em eleição majoritária, espanto maior é o PMDB, o maior do país, com cinco gestões provinciais, não ter também um postulante para evitar, nas proporcionais, uma anorexia que lembre mártires de campos de concentração nazistas.
O Paraná depender dos Dias e isso já esteve por ocorrer várias vezes, incluindo o fato de contarmos com os dois na representação senatorial, ainda se compreende, mas as soluções nacionais, por motivações diametralmente opostas, ficarem condicionadas ao sim de um e do não de outro é de lascar. O que poderia ser motivo de júbilo evidencia que os personalismos se sobrepõe a qualquer outro tipo de valor na política que praticamos.
Se dependemos politicamente dos irmãos, ainda que em aliança de fundamentos diversos, é porque esse exercício chegou ao fundo do poço da mediocridade.
A marca digital
Uma das alquimias em que mais se amestrou o PMDB ao longo do tempo foi a do recurso da baixaria. Na eleição de José Richa o que fez essa ala de magos do partido? Explorou insaciavelmente o ato legal da aposentadoria de Saul Raiz, indispensável para que assumisse a mais importante secretaria da administração Paulo Pimentel, a de Obras Públicas, já que era da hierarquia do Tribunal de Contas. Depois o bumerangue voltou-se contra o beneficiário: explorou-se o ato da remuneração de ex-governador, assentada em lei, como algo inaceitável e ímprobo, o que massificado conseguiu tirá-lo do segundo turno. Na sequência chegou à sublimação com o maior estelionato eleitoral do Paraná e talvez do país com o folhetinesco episódio Ferreirinha que jamais foi julgado porque depois de muita rabulice, recursos de pura moratória, descuido na própria decisão do TRE, houve a declaração no STF de perda de objeto, uma vez que o mandato de Requião chegara praticamente ao fim.
A exploração da reportagem da Veja sobre a fantasmice de Orlando Pessuti tem a marca digital, o modus operandi da mesma estirpe. Da mesma forma que foi usado contra o ex-correligionário José Richa é feito agora contra uma das figuras mais dedicadas do PMDB e tanto que encarnou dois mandatos como vice-governador.
Por tudo isso - a indispensabilidade dos Dias e da baixaria - vamos muito mal.





