De que valem os partidos?
Os últimos acontecimentos, tanto da política nacional como da regional, revelaram o predomínio absoluto do personalismo dos agentes sobre qualquer perspectiva de programa, doutrina, ideologia e até de convívio. E apesar disso - e até mesmo em função de tal estado de coisas - é que se desejava a tal da lista fechada para as eleições. Seria uma forma, apenas aparente, de colocar o partido e todos os seus significados sobre qualquer outra questão. É visível que tiranos municipais e estaduais prevaleceriam, já que exercem um domínio absoluto sobre as convenções e os delegados aptos a votar.
A desimportância do partido e do que representa está presente nas pretensões de Osmar Dias (PDT) de submeter todos - partidos e grupos - aos seus interesses, tanto que poderia, num passe de mágica, vagar de uma aliança para outra, ainda que vigore o princípio, assentado em jurisprudência, que o mandato é da agremiação. Como isso é verdadeiro se o PDT ficaria condicionado às opções do seu senador para posicionar-se local e nacionalmente?

Outro absurdo
Um outro absurdo, colocado na simulação de anteontem (hipótese da vice para Alvaro), foi o de que o contrário do que ocorre, o mais da vezes, que é a eleição nacional condicionando a regional, subvertia-se aqui o ordenamento das coisas com um problema da aldeia submetendo a matriz. É evidente que fatores regionais têm a sua força específica como os que impediram a ''aliança café com leite'', São Paulo-Minas, com a vice rejeitada por Aécio Neves no PSDB em função de razões provinciais, percebeu-se, no entanto, o poder presidencial que acabou prevalecendo ali, embora em outras unidades persistisse a tensão.
Em eleições paranaenses, o mais das vezes, o peso da candidatura presidencial tem sido disparadamente o fator decisório. É clássica a eleição de Ney Braga, uma das mais difíceis, e a qualidade dos candidatos mostra a decadência dos quadros atuais, quando se empenhou em aliar-se de forma categórica a Jânio Quadros para vencer.

Quem é Ney é Jânio
Ney Braga levou tão a sério isso que segurou um grupo mais à esquerda que tentava criar o comitê ''duas espadas'' com Ney e Lot. Nessas questões o ''major'' era duro, determinado, razão maior de sua força clânica.
Um parêntese: disputavam o pleito em 1960 dois representantes da tradição, Ney Braga e Plínio Franco Ferreira da Costa, e um do pioneirismo Nelson Maculan. Este um exemplo raro de dignidade, pois os cafeicultores, que eram a favor de Jânio-Maculan, tiveram que ouvir a sua palavra de resistência, já que nacionalmente o PTB, seu partido, era aliado do PSD com o marechal Lot. Dá para recuar no tempo, mais ainda, para mostrar que em 1950, a segunda eleição pós-redemocratização, os candidatos ao governo, os engenheiros Munhoz da Rocha e Angelo Ferrário Lopes, eram tão bons e importantes que Getúlio Vargas hesitou em fazer uma preferência específica no maior comício da história na Boca Maldita (Hotel Braz), embora seus votos tenham decidido em favor de Bento. Comparar esses personagens com os de agora é impossível. Aqueles deram ao Paraná ciclos virtuosos e os atuais a nossa baixa expressão.

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