LUIZ GERALDO MAZZA
Os hesitantes
Qual a imagem política que o Paraná projeta nacionalmente? A de pendular, hesitante, o que é incompatível, na forma e no fundo, com o sentido essencial dessa atividade que Aristóteles enxergou como inseparável do homem. Por causa de dois irmãos, os Dias, permanentemente no cenário, a respiração é ofegante e a taquicardia generalizada em todo o Brasil. Você acredita nisso?
Serão titãs míticos, além disso demiurgos, mágicos e profetas para que o país fique em suspense por suas decisões? É que ontem o Roberto Jefferson, aquele que denunciou o mensalão e tirou o seu arquiteto de campo, Zé Dirceu, anunciou como certa a vice de Alvaro Dias na chapa de José Serra. Alvaro vinha dizendo na cúpula do PSDB que se ele saísse como vice, Osmar desistiria e isso fragilizaria o palanque de Dilma Rousseff no Sul, não apenas no Paraná. Mesma linha de argumento que adotava no tucanato regional para que saísse ao governo estadual, já que isso afastaria seu irmão, principal contedor.
Nem Alvaro, muito menos Osmar são assim tão relevantes. Eles apenas expressam a pobreza dos nossos quadros políticos. Percebe-se também a dependência do irmão menor diante do primogênito, algo bíblico, mais Esaú e Jacó do que Caim e Abel.
Quem perde
Se José Serra optar por Alvaro estará rompendo com o encadeamento geopolítico dessas dobradinhas, afinal o Paraná é vaso comunicante de São Paulo e no Sul perde longe das artes políticas de catarinenses e gaúchos. De outro lado, dá poucos nutrientes numa eleição difícil para o tucanato, além de esnobar o DEM, velho aliado quase siamês. Não dá para comparar o vice de FHC, Marco Maciel, um dos raros gênios da política brasileira com o nosso combativo Alvaro Dias, perdedor de várias eleições majoritárias e a que ganhou para o Senado pareceu uma ''vitória de Pirro'' já que Gleisi Hoffmann era desconhecida e cresceu em cima justamente do seu desgaste, do estresse, da fadiga do material, por tanta exposição nos meios de comunicação.
Perde também, se o fato se confirmar, o sentido mínimo de competição do pleito que só teria calor com Osmar em campo para quebrar a hegemonia de Beto Richa que assim levaria no primeiro turno. Perde ainda o Osmar se sair para o Senado (a candidatura avulsa é questionada no TSE) o que o colocará mal com aqueles que acreditaram, tantos anos, que disputaria o governo e que poderiam queimá-lo por tanta indecisão para chegar a um ponto inaceitável.
Um pouco de história
Em 1955 Café Filho, que substituiu Getúlio Vargas, apoiou seu compadre, Bento Munhoz da Rocha, para uma operação em que poderia ser candidato a presidente ou vice. Não emplacou. Depois de 64 Ney Braga chegou a encarar e vencer Costa e Silva numa prévia da Arena regional, mas ficou por aí e tudo terminou, de forma melancólica, na campanha presidencial de Affonsinho Camargo em que o ator Tião Macalé, do bordão ''nojento'', é que dava as cartas como espetáculo.
Seria bom para o Paraná e a nossa autoestima a candidatura Alvaro Dias? Minas não ganhou mais expressão, além daquela tradicional, com o empresário José Alencar, a despeito da imagem forte do homem corajoso e em luta com o câncer.





