O fim do blefe?
Não saiu a fumaça papal das nervosas reuniões em Brasília e a novela ficou sem fecho. Na verdade, como é impossível que todos blefem no pôquer também é inimaginável um acordo em que nada menos de três partes querem levar vantagens muito específicas. Nem a intervenção da cúpula do PT, PMDB e PDT facilitou o consenso e, convenhamos, que Osmar Dias, até por se constituir na salvação de um pleito previamente decidido, tinha toda razão em querer a Gleisi como vice para que a aliança se tornasse visível e unindo as duas maiores expressões das agremiações interessadas.
Agora quem está botando banca é Beto Richa que deu até hoje, permitindo um adiamento de 24 horas, dado como fatal para ontem, para que Osmar Dias se declarasse disposto à disputa senatorial em aliança. O desgaste da indefinição virá, como justiça poética, na eleição senatorial com seus eleitores queimando o seu nome por tê-los decepcionado quando havia o compromisso, já de longo tempo, de disputar a governança.
Não merecemos nem os candidatos e muito menos a novela. Explica, porém, a nossa baixíssima credibilidade em termos nacionais.

Calça curta
A crueldade do eleitor insatisfeito não tem limites e um correligionário, até entusiasmado, de Orlando Pessuti o apelidou de ''governador calça curta''. E o fez com a boa intenção de reverter a sua candidatura à reeleição. Gordão e de calça curta nem escoteiro como o Paulo Salamuni fica bem.

Fichas
Antes ter ficha de Dops era um terror e com a queda da ditadura um troféu. Hoje a ficha da moda é a suja e o oportunismo do PSDB ao coligar com Ricardo Barros para o Senado, sacrificando seus quadros, a desprezou.


Folclore
Num jogo estranho em que quase todos querem ganhar sem disputa (casos de Beto Richa, Osmar Dias, Gleisi Hoffmann e Requião) obter a faixa sem risco é de se desejar que acabem enfaixados pelas contusões que deveriam sofrer.

Caixa
O governo tentava dissimular a situação fazendária, mas a dificuldade para pagar os 5% de reajuste do funcionalismo deixou bem claro que as contas estavam no ''vermelho''. O retorno à abominável prática de usar precatórios no pagamento de ICMS consolida a visão negativa. No mercado secundário há muita quantidade desse papel, às vezes com deságio de até 70%, e que na negociação tem o valor de face.

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