LUIZ GERALDO MAZZA
Ainda um exemplo
Hoje a Câmara de Londrina celebra a passagem do seu maior evento: o da cassação do prefeito Belinati há dez anos e numa sessão de 26 horas. Dentro da tradição brasileira, da justiça lenta e formalista, hoje um pouco melhor com as intervenções pedagógicas do Conselho Nacional de Justiça, há mais o que comemorar do que lamentar, embora a perspectiva de recuperação do dinheiro público seja bem remota, o que impacienta os zeladores da lei.
É verdade que a resistência do Belinati e o enraizamento na cidade de formas de populismo elidem a existência de uma cultura predisposta igualmente a mudar as coisas e isso é testemunhado sistematicamente na sincronia entre uma parte ponderável da população, que assumiu um compromisso de persistência com o movimento ''Pés-vermelhos, mãos limpas'', a mídia e o Ministério Público. Os sucessivos processamentos, marcados por afastamentos e prisões, de vereadores e funcionários revelam que essa é a forma militante de evitar a apatia e de que se lavre como dominante o ceticismo.
Não dá para comparar em termos de engajamento entre o que ocorre em Londrina e na capital onde a força tentacular da sociedade cartorial bloqueia todo e qualquer procedimento mais forte, dada a quantidade de mediadores que criam obstáculos à apuração dos fatos, como se vê na enxurrada delinquente do que se dá no Legislativo estadual beneficiada pela articulação intrapoderes do sistema de vasos comunicantes.
Compadrio
Se em cima do fechamento do acordo para ungir a candidatura Osmar Dias ele não vier com a exigência derradeira de que a Gleisi Hoffmann seja sua vice, estará definida a competição e que por força do grau de comprometimento dos litigantes (mesmo que Orlando Pessuti fosse o disputante tudo se repetiria em nível de acomodação) não teremos algo à altura de um pleito plebiscitário.
Estará bem ao estilo do nosso compadrio, da falsa harmonia, e com tudo para o não conflito, quando o Paraná carece de uma ideia-força que se distancie dos velhos clichês dissimulados pelos artifícios cromáticos do marketing. Quando se fará, por exemplo, um exame em profundidade dos mitos da Curitiba modelo e que é algo como a Esfinge que devora os que tentam decifrá-la? Porque, na verdade, essa é a sustentação de toda a carga que faz de Beto Richa favorito. Nunca se discutiu com um mínimo de profundidade a questão. E pelo jeito Osmar Dias ou Pessuti não o fariam.
Kaká
Kaká não está ainda jogando um dízimo do que pode.





