LUIZ GERALDO MAZZA
Falando para dentro
Há uma vocação inegável no Paraná: a de ser autárquico e a de falar para dentro, isso é no acanhamento dos limites territoriais, a despeito de toda a evolução tecnológica das comunicações. Não temos um meio de comunicação, de traço massivo, que transponha essas lindes espaciais. Já tivemos como quando da circulação da revista Gráfica do Osvaldo Miranda, uma das melhores do mundo na especialidade; a recente publicação cultural ETC da Travessa dos Editores, também dentre as de maior destaque na América Latina; Rascunho, um jornal literário de circulação nacional que deu continuidade ao Nicolau, publicação mais abrangente, multicultural. Desperdiçamos oportunidades como quando a Rede OM, embora com audiência restrita, tinha sua capitania em Curitiba.
Todos os dias temos comprovação disso e, às vezes, durante longo tempo como se deu com as ofensivas de Requião contra o pedágio e os transgênicos. É claro que aí por força da baixa credibilidade do patriarca teatral. Houvesse mínimo de credibilidade, dado o tom fundamentalista dessas cruzadas caricatas, e o Paraná apareceria no cenário nacional. Claro que quando os atores são outros como um Munhoz da Rocha e um Ney Braga as coisas mudam de figura.
Mesmo, porém, havendo atores - o que lamentavelmente não ocorre no momento e nem parece que acontecerá com as opções eleitorais do momento - carecemos de instrumental para esse fim, ainda que Requião, em estado de apoteose mental, tenha visto na TV Educativa, que tanto deturpou, uma ponte não apenas para os latinos, mas para todo o mundo, o que se sabe não era verdadeiro.
Os mitos em revista
Há alguns mitos que operaram além da província: os congressos nacionais e internacionais de 1953 no Centenário e que projetaram o Paraná mundialmente; os feitos de Lerner em Curitiba e que, descontado o exagero, se fizeram em modelo; o arranque do neysmo na integração física do Estado, lamentavelmente ainda dependendo de esforço maior na questão cultural, a de aproximar o Paraná de si mesmo.
Uma das nossas celebrações foi a Copel que perdeu capacidade emulativa entre as energéticas. Não há como confrontar a nossa estatal com a Cemig, a de Minas Gerais, cujas ações valem o dobro da regional e por uma razão muito simples: ela só perde no Brasil para a Eletrobras. É que enquanto Requião fazia nas suas pregações a exaltação do Estado provedor, Minas Gerais, sem alarde oratorial, transbordava como empresa pública. Nos últimos cinco anos investiu R$ 5 bilhões em cinco aquisições do setor; comprou a italiana Terna e avançou em negociações com a Light; conta com 63 usinas e capacidade de geração de 6,7 MW. Valor de mercado de suas ações, negociadas no Brasil, Nova York e Espanha, é da ordem de R$ 20 bilhões, o triplo do que valiam no início do governo Aécio Neves. Aqui, no entanto, por força do falar autárquico, a Copel é exaltada como uma das melhores do mundo e a primeira do Brasil. É importante, mas nem tanto, prejudicada em sua imagem pelas bravatas do ex-governador que quase perde uma demanda de US$ 1 bi por causa da Usina de Gás de Araucária da El Paso, cuja explosão anunciou com a leviandade característica.





