LUIZ GERALDO MAZZA
Competição sem graça
Só há uma forma de termos embate eleitoral: a candidatura de Osmar Dias para enfrentar Beto Richa. Mesmo assim pelo grau de comprometimento entre ambos tanto no pleito municipal como no anterior do governo, é visível que a disputa ficará possivelmente muito respeitosa, o que é péssimo para o clareamento das coisas, embora bem ao gosto e estilo do Paraná com sua acomodação orgânica de interesses, como se clarifica nos chunchos de 40 anos no Legislativo.
Mesmo que o embate se limite a Beto e Orlando Pessuti também corremos o risco de uma campanha pobre porque sem conflitos e sem isso os contendores lembrarão esgrimistas de florete. Ficaremos sem saber das entranhas da Prefeitura de Curitiba e ainda das relações dos oponentes com as patologias do Legislativo estadual em que ambos aparecem um no caso da sogra fantasma e outro na nomeação da menina de sete anos e ainda aquela denúncia de Requião sobre a Ceasa e que ceifou toda equipe do então vice-governador.
Episódios da campanha de Lerner só agora ganham decisões no Judiciário, mas revelam o quanto a demora dos procedimentos gera problemas: o crime de formação de quadrilha contra o ex-governador estava prescrito como se deu ainda com a decisão do STF dos seis meses de cadeia para Taniguchi.
Charge
Hamlet, príncipe atormentado, caveira de Yurik à mão, declama o ''ser ou não ser'', tal qual Osmar Dias, quando o esqueleto não suportando a interminável dúvida, manda o ator principal para aquele lugar.
Ginga
Há político mais preocupado com o copo do que com a Copa.
Petraglia
Mario Celso Petraglia, afinal quem mais se empenhou para que a Arena sediasse a Copa, disse que é indispensável dinheiro público para aprontar o estádio. Se é assim a Copa também é dispensável, pois Petraglia construiu dois terços da Arena com recursos próprios e é um mistério não saber como obtê-los agora.
Grana
Como se faz dinheiro e bastante, é só olhar a diretoria antiga do Legislativo. Segundo cálculo do Ministério Público, o afano dava para terminar a Baixada.
Folclore
Ninguém sobrevive sem ar e isso se dá com a Sanepar, pois a proibição de tirá-lo do encanamento dá uns 30% a mais na tarifa. Sufocar a empresa seria proibi-la de faturar o ar que faz girar o hidrômetro e não esses pedidos de aumento salarial com ameaça de greve.





