LUIZ GERALDO MAZZA
Haja pesquisas
Além dos institutos nacionais de pesquisas eleitorais temos os regionais, alguns até com um histórico de alguma precisão como o Bonilha da Capital, Alvorada de Londrina, a Paraná Pesquisas também de Curitiba. No meio da semana foi divulgada uma sondagem atribuída ao Daoberman Pesquisas valendo-se de Cascavel como universo de 400 pessoas. Osmar Dias ganha de Beto Richa de 44.7 a 34 e confrontado com Orlando Pessuti o abate por 49.5 a 24.5. Na disputa entre Beto Richa e Pessuti o escore é de 49.5 a 24.2.
Osmar já tinha um empate técnico - e isso por causa da margem de erro - com Beto Richa na pesquisa do Vox Populi, mas anteontem era voz corrente na Capital que a grande aliança, aquela que decidiu a eleição de Curitiba, se restabelecera. Quem o alardeava era o PPS de Rubens Bueno e juntava PP (esse um desejo do próprio José Serra que articulava a vice com Francisco Dornelles e o impusera com Ricardo Barros ao PSDB regional) mais PSDBDEM-PDT. Claro que Osmar Dias seria o postulante ao Senado junto com Ricardo Barros nessa hipotética formação e Beto Richa na cabeça de chapa.
Como as verdades em campanha eleitoral, dado o predomínio da especulação sobre o fato, são transitórias, fungíveis, dissipáveis como perfume sem o adequado fixador, imediatamente teríamos outras versões para neutralizar a que parecia dominante.
As pesquisas estão mostrando com a força de Osmar Dias o quanto erraram os petistas da aldeia em subestimá-lo e provocá-lo.
Campanhas diferentes
A campanha que devassa a Assembleia Legislativa é positiva, embora revele a obviedade de que muitas das entidades que a apóiam têm também parte de culpa como o conjunto da sociedade e todos nós. Afinal um silêncio tumular, como se houvesse um pacto de normalidade, dava cobertura a tudo e isso abrangia a mecânica institucional com os demais poderes. A mídia, inclusive e com grande envolvimento. Tanto o Judiciário como o Legislativo pagavam salários de jornalistas, por exemplo, o que mostra a amplitude da cumplicidade.
Há uma diferença entre isso e a deflagração do movimento Pés Vermelhos, Mãos Limpas de Londrina que mobilizou OAB, igrejas, maçonaria, sindicatos. Aquele foi legitimamente uma pressão de fora para dentro e que chegou até a determinar uma intervenção da Rede Globo no seu telejornalismo regional muito articulado com a gestão de Antonio Belinati, ao final de tudo preso e cassado, apesar do respaldo notório do governo Jaime Lerner.
A cultura sedimentada ao longo do tempo no interior do Legislativo era tida como regular e normal. Jamais o Ministério Público se ocupou do caso e a própria corporação parlamentar entendia tudo como praxístico e portanto justo e legal. Quando Nelson Justus afirmou que Bibinho detinha raio de autonomia incomum, o que parece um ato falho é apenas uma confissão do mundo em que atuavam esses personagens. Um universo absurdo, uma subversão hierárquica, que consolidava um poder paralelo e o sobrepunha à Comissão Executiva. Da mesma forma que a campanha londrinense não impediu a volta de populistas ao governo essa não pode, por desvios de itinerário, derrubar a causa.





