LUIZ GERALDO MAZZA
A vez do eleitor
A campanha contra a corrupção no Legislativo estadual, deflagrada pela OAB regional, é importante e lembra em parte aquele movimento de Londrina ''pés-vermelhos, mãos limpas'', embora não tenha ainda alcançado a capilaridade desejada, e que acabou derrubando o prefeito Antonio Belinati e provocando uma intervenção na Rede Globo provincial em seu departamento de telejornalismo. É preciso ir além de uma lista de entidades assinando o manifesto e criar fatos políticos que mostrem pessoalmente aos deputados o nível de inconformismo do eleitor diante de sua passividade, mal dissimulando cumplicidade.
É a vez do eleitor - e isso bem antes da convocação às urnas - mostrar, cada um de per si, a sua insatisfação por esse quadro chocante por não ser crível que nada soubessem do que ocorre na intimidade do Poder. Mesmo quem nunca revelou seu voto, sente-se impelido a fazê-lo para cobrar do parlamentar que ajudou a reeleger uma atitude clara de não conformismo e se ele não satisfizer essa expectativa pode considerar que não mais terá esse apoio. É o mínimo que se pode fazer diante do quadro de embotamento moral.
O veto do eleitor é o melhor e mais pedagógico dos caminhos.
Mais retaliação
Deputados já nem sabem o que fazer para retaliar o Ministério Público e, depois da PEC para desarmar a instituição, resolveram desengavetar mensagem de Requião, de 2008, em que se submetia a aprovação de reajustes salariais da área à sua tramitação na Assembleia. Deveriam consultar Pessuti para ver se concorda. Só entendem esse tipo de linguagem como se viu em vários requerimentos, dentre os quais aqueles do Jocelito Canto.
O deputado Tadeu Veneri pede o adiamento da matéria por 10 sessões.
Todos com culpa?
Tirando a bancada do PPS, que pediu a saída da comissão executiva, mais a do Partido Verde (que tem um membro na Casa) na mesma direção, só se percebe o silêncio, a dissimulação na crítica e a perplexidade. Deputado que aparece na Boca Maldita é cobrado e o único que a frequenta é o Romanelli. Anteontem, ouviu boas críticas. Teve a qualidade de não fazer o cúmplice dos abusos.
Resistência
O secretário de Justiça não queria que jornalistas estivessem presentes na Penitenciária quando da inspeção do Ministério Público. Foi preciso boa dose de diplomacia e mediação do Judiciário para que as coisas acontecessem. A presença da PM é considerada indispensável para a paz no recinto.
Folclore
Ontem na porta do Madalosso de Santa Felicidade, no jantar de celebração da queda da multa da Secretaria do Tesouro Nacional por artes de Osmar Dias, um gozador intelectualizado dizia estar ''esperando Godot'' para referir-se ao senador. Pior seria se Osmar, dando uma de Groucho Marx, decidisse não ir ao evento por não aceitar jantares em que é o principal convidado.





