LUIZ GERALDO MAZZA
Arbítrio tolerado
Nunca a Câmara ou o Senado foram alvo de devassa do Ministério Público mesmo diante de atos secretos ou de sacanagens do tipo anões do orçamento. Essa analogia tem que ser feita com o ingresso na marra do MP estadual no interior da Assembleia. Ocorre que a desmoralização é tanta que a nota de estranheza da Casa partiu da Diretoria de Comunicação, sem identificação do autor, quase mais um ato secreto, porque nenhum dos membros da Executiva teriam credibilidade e disposição para fazê-lo.
A OAB, que apoia as denúncias, não poderia, de forma alguma, respaldar o transbordamento porque mesmo no regime militar- e sou testemunha pessoal disso- havia preocupação com a judicialização dos atos, razão pela qual fui citado para responder IPM e, posteriormente, para audiências na Auditoria Militar nos idos de 1964 e anos seguintes.
É a ausência de moral dos parlamentares de um modo geral e da Comissão Executiva em particular para um desforço institucional necessário. Quem está em crise é o poder instituído pela corrupção endêmica. O que não autoriza o MP a retomar esse tipo de procedimento. Uma assembleia que permite um órgão burocrático, a Diretoria Geral, sobrepor-se à Executiva e ao plenário por extensão foi além da subversão e suicidou-se.
Inveja
Um sítio nominado Criacuervos, que tem todo o jeito de ser obra pirata do ex-governador Requião, afoga-se na baba da inveja por causa do título de pensador atribuído a Lerner. Ninguém deu importância ao feito que é muito parecido com as listas de melhores do ano de nossa imprensa e comendas da Boca Maldita.
Dá para imaginar Lerner, gordíssimo, em postura igual a do pensador de Rodin o que ressalta a ridicularia do prêmio partilhado com o estadista Lula.
Ambivalência
Osmar Dias na CBN Cascavel admitiu desistência ao governo pelo Senado, mas horas depois, na CBN Curitiba deu versão diferenciada afirmando que o tempo da formação de alianças ainda não acabou. Tem todo jeito de prensa final no PT que parece não acreditar na Dilma e muito mais na Gleisi Hoffmann. O fato local, como em Minas, se sobrepõe ao nacional.
Folclore
No governo Lerner houve no Palácio Iguaçu encontro com a mídia para discutir a segurança pública. O Chefe da Casa Civil, Cândido Martins de Oliveira, pediu que me manifestasse, já que fazia comentários diários sobre o tema. Dirigi-me ao governador e sugeri que recuperasse as prerrogativas que indevidamente delegou a Anibal Khury como primeira medida para tentar encarar a questão. O secretário de Segurança, Rubens Tanure, esboçou a defesa e o governador tocou-lhe o braço para não ampliar o tema. Presente a hierarquia da civil e militar.





