LUIZ GERALDO MAZZA
Há um clima, tanto nacional como regional, para uma eleição com um traço plebiscitário. Obviamente Marina Silva, a única que expressa a contingência de uma utopia, não concorda com esse dualismo que dificulta a apreensão da realidade numa perspectiva de diversidade. A criação do segundo turno nas eleições, relativamente recente, impôs um final de pleito com maior nível de identificação doutrinária e ideológica, o consenso possível.
Já deu para percebê-lo na primeira eleição presidencial. Houve opções bem significativas em Brizola, Mario Covas, Ulysses Guimarães, Afif Domingos, Aureliano Chaves, Roberto Freire, Enéas, Affonso Camargo, Maluf e Lula. Tanto que percebeu-se um esforço da Rede Globo para tirar Brizola do páreo que teria mais condições do que o líder do PT para enfrentar Collor de Mello, integrante em Alagoas da sesmaria global. Aliás a desnecessária e chocante manipulação do último debate em favor do caçador de marajás é um dos momentos mais absurdos da história da mídia no Brasil pela circunstância elementar de que o candidato do PRN levara a melhor no enfrentamento verbal. O risco é que a polarização, já identificada nas pesquisas de agora, impeça o afloramento de tonalidades diversas entre os postulantes tão necessárias à democracia.
Bravata chavista
Brizola poderia antecipar-se a Hugo Chávez na sua cruzada contra a TV e o propalado monopólio e essa bravata atormentava a Vênus Platinada, que já tivera o caso Proconsult na sua eleição para governador do Rio com a acusação de uma pretensa manipulação dos resultados. Como havia oscilações mínimas na pesquisa entre Brizola e Lula deu-se destaque a uma posição do metalúrgico contra a privatização da estatal ferroviária, Mafersa, e essa exposição lhe teria assegurado a diferença obtida. São conjecturas possíveis.
Na situação atual, mesmo que Marina ganhe expressão em debates como o havido em Minas Gerais, tudo caminha para o plebiscito, uma tática de interesse claro do presidente Lula, o jogo do divisor de águas com o PSDB de FHC.
Aqui tudo obscuro
No Paraná há tudo para a polarização entre Beto Richa e Osmar Dias, mas as hesitações do PDT e a ciclotimia do PT tornam a desejada aliança para fortalecer Dilma Rousseff cada vez mais improvável. Corremos o claro risco de uma decisão em primeiro turno e o comando lulista não percebeu que isso é o naufrágio de Dilma já anunciado e que se repetirá, provavelmente, em Minas Gerais e São Paulo. A complexidade de arranjos regionais, como o havido em Minas Gerais em aberta ruptura com os desejos do presidente por parte do PT, dificulta intervenção externa em nosso caso.
Também o poder de pressionar de Osmar Dias está esgarçado, tantas as versões dadas ao seu posicionamento, inclusive o provocado pelo PSDB de que gostaria de tê-lo na chapa de Beto Richa na vaga senatorial. Ocorre que em função da eleição passada e dos compromissos assumidos, na campanha atual, Osmar vê se reduzirem suas áreas de manobra e que se distanciam da disputa do governo.
Numa eleição, que poderia ativar a participação massiva, poderemos cair, ao menos no plano local, num absenteísmo, a recusa do eleitor.





