Ausência de ideia força
Há muito não temos uma ideia-força, que implique em convocação da sociedade por parte de candidatos ou alianças partidárias. No embate nacional estamos vendo isso na tentativa do governo Lula ''vender'' o PAC como um plano quando se trata de uma colcha de retalhos de obras programadas, abandonadas ou em simples andamento. É quase os cinco dedos de FHC, também edulcorado por um candidato ligado na antropologia.

Regionalmente, então, há muito tempo que não se vê um ''teaser'' ou mesmo um ''slogan'' que tenha abrangência de significados para atender aspirações de grupos e regiões voltadas à superação. Em passado distante tivemos com Lupion o ''Paraná maior'', com Munhoz da Rocha ''Dignificação da função pública'' aflorado para sugerir um basta à corrupção e mais recentemente com Ney Braga aquele ''Somos todos uma só força'' ilustrado por aqueles bonecos recortados e unidos em corrente.

Um plano desconhecido

O único dos candidatos que faz encontros micro e macrorregionais em torno de problemas paranaenses é o senador Osmar Dias. Todavia ninguém conhece o que se debate e há até quem maliciosamente os compare aos ''diários secretos'' da cloaca legislativa estadual. A circunstância, porém, de mobilizar em cima de temáticas específicas já é um ganho.

O mais forte dos postulantes, pelo menos até aqui, Beto Richa tenta sugerir que decalcaria o que teria feito em Curitiba (na verdade a obra é de continuidade pela persistência de um ''marketing'' que ganhou seu apogeu com Jaime Lerner) para todas as regiões do Paraná, o que é sabidamente inviável. É verdade que ao proclamá-lo evidencia que um dos compromissos da segunda gestão neysta - o de fazer a difusão espacial do bem-estar, isso é lutar contra todos os desníveis regionais e sociais, uma utopia - não foi cumprido, ainda que bem exaltado, doutrinariamente falando.

Uma surpresa

Ainda que não tenha concluído em tempo normal a sua equipe, Orlando Pessuti expõe a marca digital, personalíssima, do seu estilo. Apesar de perder noção de ''timing'' quando fala (e atribuiu-se isso ao entusiasmo pela derrubada da multa que lá na frente pode ser uma ''vitória de Pirro'' com a perda da joia da coroa, a Copel) a simples circunstância de nesse evento ter tido um desempenho excepcional em termos de engenharia humana, ontologicamente aquilo que cabe e define a política, ao agregar adversários por uma causa e colocando a cordialidade como fundamento da aproximação e da busca de resultados e não o sentido tenso e desagregador do seu antecessor é algo nada desprezível e que vale mais do que cerebrações de intelectuais em torno do ''vir-a-ser'' das ações de governo.

Como as campanhas são vertidas na singeleza do ''marketing'' a mensagens que lembram a arte publicitária a sua superficialidade intrínsica impede o exercício de avaliações epistemológicas, o que expulsa o filósofo dessa área. Esse ''alquimista'' moderno transforma pensamento em clip com a mesma frieza da venda de produtos. Conquanto os humanistas desprezem essa identificação com a mercadoria, captada por Marx em ''O capital'', esse é o embalo e, ao mesmo tempo, a embalagem dominantes. É o não pensar em ação.

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