LUIZ GERALDO MAZZA
Diferencial relevante
Londrina derrubou um prefeito, afastou vários vereadores, botou presumíveis exploradores de fantasmas na cadeia ou sob inquérito e em Curitiba algo podre, como se dá no Legislativo estadual, não caminha, apesar da insistência das denúncias e da evidência de que continua produzindo diários oficiais secretos.
A diferença é uma só: o poder cartorial da capital é sensivelmente maior, abrange maior número de famílias e isso tolhe, direta ou indiretamente, o sistema formal de poder, abrangendo toda a sua expressão tripartite. Da mesma forma a sociedade é mais sensível e a mídia local mais firme e atuante. Lá há maior flexibilidade do Ministério Público porque também há mais denúncias, sem as quais a instituição não pode agir, a não ser em casos em que a intervenção se dá por esponte própria.
Nem o golpe militar foi suficiente para remover esses laços parenterais e muitos dos que ficaram distantes das sanções o devem a essa circunstância. No Legislativo já havia essas práticas, ainda que em menor escala, mas há quem afirme que até os militares se surpreenderam com a ''caixinha'' criada por Aníbal Khury, a Caixa de Assistência e Beneficência dos Funcionários da Assembleia Legislativa. Como o ''guru'' era o maior sedutor político não há por que duvidar do seu poder magnético e acabou preso e cassado por pressão da linha dura, a ala dos falcões, embora protegido por Ney Braga. Até hoje apenas a queda de Leon Perez, graças à pressão do empreiteiro Cecílio Rego Almeida, marcou ações do poder externo que extrapola os enlaces clânicos da praça.
Nem um terremoto, de 7 graus na escala Richter, remove essas raízes.
Passivo
O que mais cresceu nos anos de Requião foi o passivo judicial, além daqueles pessoais como as multas por abusos na ''escolinha''. Agora a 3 Vara da Fazenda Pública ferrou ele, o mano Eduardo e o presidente da Copel por gastos com propaganda para responder à reportagem nacional sobre o Chávez brasileiro.
Paranoia
Petistas estão vendo propaganda subliminar de Serra nos institucionais da Rede Globo dos 45 anos. 45 é o número do PSDB.
Folclore
Requião como testemunha do Lerner num processo da Justiça Federal é de lascar: é que o ex-governador autorizou a cobrança de pedágio na Araucária-Lapa, cuja concessão da gestão anterior não passou por licitação. Resultado: o pedágio é pior do que o de Paranaguá com R$ 7,60 por 42 kms.
PPS
Deputados do PPS pediram ontem a saída de Nelson Justus para evitar suspeição na sindicância. O ativismo do partido se deve também à hipótese de Rubens Bueno sair candidato ao governo outra vez. Sempre os mesmos, como diria Jamil Nakad. Como esperar que o paranaense saia da inércia?





