LUIZ GERALDO MAZZA
Caixa 2 (um)
A confissão do nosso Jocelito deputado de que todo político tem caixa 2, que não parece despropositada, levou a OAB a pedir ao Ministério Público que investigue a procedência da afirmação, embora a liberdade na tribuna. Além mais o orador agiu com animus corrigendi, o de corrigir, como poderia se valer do animus jocandi, o de gozar, ironizar, tirar sarro.
Nem todo brocardo popular é juridicamente correto. Quem diz a verdade não merece castigo, conforme o anexim. A propósito disso Wilson Martins escreveu um ensaio sobre o Marquês de Maricá, o cultor máximo de ditos populares, mostrando, quase um a um, a sua inconsistência e banalidade.
Caixa 2 (dois)
A propósito foi adiada a sessão do TRE que examinaria ontem a caixa 2 de Beto Richa com a dissidência do PRTB, o Comitê da Lealdade. Ficou para o dia 28. A prova material existe: o não registro de muitas movimentações de recursos. Embora um magistrado e o MP tenham dito que não há conexão de responsabilidade do ex prefeito entende-se que a simples existência do caixa 2 fundamenta o exame da cassação. É o caso do ministro Joaquim Monteiro, do STF, que enquadrou os mensaleiros de Lula, ao entender que mesmo não havendo autoria do senador Eduardo Azeredo no mensalão de Minas, sua condição de beneficiário fulmina o mandato. Se formar jurisprudência muda o quadro eleitoral do Paraná.
Tal qual em 1960, quando ninguém venceria Souza Naves,
cassado por um enfarte no risoto do Morguenau. Ali mudou a história do Paraná com Ney Braga.
Folclore
Vereadora Julieta Reis quer legalizar cães em casas e apartamentos, mas limitar-lhes o número. Que tal deixar o assunto para o estatuto condominial? Em Curitiba um advogado foi até o STF para garantir o Biro-Biro em sua casa e contra a convenção do condomínio. Não era o jogador, mas o cãozinho. Ganhou.
Esquema
Há um esquema, segundo a imprensa do sudoeste, no PSDB para colocar na vice o pedetista Agostinho Zuchi. O boato nem sempre é o embrião da verdade. Só falta sugerir Osmar Dias para o Senado.
Socratismo
O deputado Antonio Belinati fez um discurso de quase meia hora combatendo o culto à beleza dos políticos (plástica, botox, implante de cabelos) e terminou dizendo que não se discute uma ideia nova no Paraná. Como ele, enfim. Segundo Sócrates, o da cicuta e não o da caipirinha, monstrum in animo, monstrum in fronte, monstro na alma, monstro na face. Depois que Jean Luc Godard botou o feio como mocinho, o Jean Paul Belmondo, o conceito mudou.
Ansiedade
O ritmo da mudança do secretariado cria mais ansiedade: em Paranaguá há a preocupação com o porto. Conforme a escolha, Pessuti faz votação de vereador.
Negar que o twitter de Requião incomoda é impossível. Aconselhou Jocelito a ir fundo na procura da verdade.





