LUIZ GERALDO MAZZA
Psicodrama induzido
O deputado Jocelito Canto, enquanto a Assembleia como poder está em clinch, quase tenta o jogo da verdade, algo muito comum lá pelos anos 60 e 70, com seus colegas ao declarar que todos têm caixa dois. Algo assim como se um provocador perguntasse ''e quem de nós não fez troca-troca na infância?''. O protesto de inúmeros participantes seria inevitável, mesmo que a recordação levasse a tempos mais líricos, mas no caso da questão suscitada por Jocelito as reações não foram tão unânimes. Seria mesmo, o que se dá no Legislativo, um caso de caixa dois ou algo bem mais articulado como desvio de recursos?
O parlamentar não acertou o alvo, todavia deu a entender que o que lá ocorre a todos envolve por ação ou omissão. E está faltando justamente a intervenção de alguém que obrigue o conjunto ao psicodrama do jogo da verdade.
Melhor do que a manifestação de estudantes e sindicatos, que extrapolou nos exageros contra o patrimônio público na derrubada do portão, a intervenção de Jocelito Canto fez a turma se olhar no espelho. Ficar fazendo ditirambos de apoio a Nelson Justus não basta e apenas acentua a carga corporativa.
A classe política já é vista negativamente pela maioria. Todavia a nossa, postada no Legislativo, superou tudo. Em passado recente os milicos deixaram de aparecer fardados nas ruas com medo de hostilidades civis. Isso em breve se dará com deputados de não andarem pelas ruas sem o risco do desprezo, da vaia e sem sinais daquilo que é marca brasileira - a cordialidade.
Disk, Requião
Piada corrente ontem na praça: a de que o governo lançaria o Disk, Requião.
Comando
Novas manifestações de organizações sociais contra a corrupção legislativa já estão programadas. Urge a autorregulação para evitar quebra-quebra. A polícia demorou ontem para agir e poderia ter evitado a derrubada do portão.
Script velho
Nelson Justus não muda o script: na outra legislatura disse ter demitido dois mil servidores, quase a mesma cifra de agora.
Surpresa
Pessoal da Diretran orientando motoristas: mudança de imagem na compulsão das multas ou ação específica da cidade sob nova direção?
Folclore
Pedro Lauro, que chegou a deputado federal, mas jamais obteve o mandato de vereador, usava o meio-fio da calçada para suas mensagens, Twitter urbano. Justificava a eficácia do meio com a desenvoltura de Edgar Morin: ''O povo anda cabisbaixo e é o outdoor ideal''.
Vacina
Está meio estranha a vacinação contra a gripe: imunizam todo o mundo, sem pedir documento. É como se a regra da massificação, concedida em liminar na Justiça Federal, estivesse valendo.





