LUIZ GERALDO MAZZA
Marcação cerrada
Há muito tempo se fala em democracia participativa: o PMDB a empalmou como fundamento programático, o PT a adotou nas manifestações de rua em sua fase romântica hoje distante com o pragmatismo do desfrute do poder. Como toda novidade dentro em pouco entrou em processo de entropia e até de fadiga do material, mais discurso do que realidade.
Retomo ao tema de ontem na analogia entre a forma como Londrina e Curitiba reagem a escândalos. O traço acomodatício da sociedade cartorial, a inércia que se segue a arregimentação dos interesses, a resistência a mexer naquilo que é costumeiro, consagrado, fazem da Capital, ainda por cima por sua condição de pólo político-administrativo (a relação intrapoderes do sistema de vasos comunicantes) dificulta qualquer aprofundamento num caso como esse, endêmico, do legislativo. Há muitos anos essas patologias são conhecidas, mas de forma alguma combatidas. E isso dá ''status'' de normalidade aos que a desfrutam e quem se indigna com o que acontece é olhado, primariamente, como invejoso.
Se é verdade que isso não vacina Londrina contra a distorção do populismo, o que é visível na eleição tanto de Belinati como na de Barbosa Neto, mantém a cidade vigilante por seus setores organizados com o Ministério Público bem sintonizada com o clamor público e as denúncias.
Apatia crônica
Um dos riscos que se corre no Brasil hoje é a superdosagem de denúncias nem sempre produzindo fatos concretos e removendo a impunidade. Tudo é demorado: o mensalão, embora o efeito imediato das cassações, e do enquadramento de todos os participantes, está aí cumprindo a liturgia processual. Já o mais recente mensalão, o de Brasília, naturalmente timbrado pelas imagens da grana na meia, na cueca, redundou na cassação do governador José Roberto Arruda por causa da tentativa de induzir testemunha, causa ratificadora em Londrina de suposta situação semelhante movida em favor do vereador Joel Garcia.
Em Curitiba é raro algo semelhante prosperar: até hoje só o vereador Custódio ficou preso em função de denúncias de assessores de que tinha o hábito de fazer ''rachid'' nos pagamentos ajustados. E é claro que há fantasmas não só na Assembleia como nas câmaras municipais. Prova disso é a primeira vitória de Requião para o governo obtida com o estelionato do Ferreirinha e no caso por descuido processual do TRE que o cassou, mas não chegou sequer a citar o seu substituto, o vice Mário Pereira, litisconsorte necessário.
Única tacada para valer foi a do empresário Cecílio Rego Almeida e que acabou redundando na renúncia de Haroldo Leon Perez.
A mídia
Como a mídia em Londrina é mais participativa e marca mais de perto há uma sincronia entre ela, a sociedade e as instituições. Em Curitiba um cipoal de mediadores intervém em qualquer caso traumático e a luta é para que tudo seja rapidamente esquecido e as coisas voltem à ''normalidadade''. Surpreendeu a forma como os interesses contrariados funcionaram na audiência pública do Conselho Nacional de Justiça que fez lembrar a figura clássica do pretor peregrino do Direito Romano. Veículos de comunicação da Capital tinham empregados pagos pelo Tribunal de Justiça e Assembléia Legislativa.





