LUIZ GERALDO MAZZA
Um trem fantasma
Há algo mais do que fantasmas na Assembleia Legislativa: um trem fantasma desses de parques de diversões em que em cada curva há um espanto e se mantém na linha sem riscos de descarrilar. Pelo que se vê nem a ação do Ministério Público e da Polícia Federal na Operação Gafanhoto foi suficiente para que não mais houvesse manipulações com indicações fiscais de gente humilde para proveito misterioso de uma gangsteria inominada. Em nome de mãe e filha, gente paupérrima de Cerro Azul, houve movimentação em cinco anos de nada menos de R$ 1,6 milhão. Ironicamente tais pessoas dependem do Bolsa Família e de auxílio de vizinhos para sobreviver e agora correm de cortarem até esse benefício por força das indicações fiscais formais.
Mas a manipulação desse poder não alcança apenas gente do povo e também os próprios parlamentares. Ironicamente isso se dá no poder político por excelência onde as artes de um Doutor Silvana de história em quadrinhos a tudo atormenta. Antes já havia ocorrido o caso de um desempregado de Palmeira, cujas indicações fiscais permitiam vasta movimentação de dinheiro e que também acabaram impedindo que o cidadão se habilitasse a um plano de casa popular por ter uma renda alta na Assembleia.
Quando se denunciou que o chefe de gabinete do deputado Beto Richa, Ezequias, estava beneficiado por um sistema de vasos comunicantes com a sogra fantasma, ficou nítido que os parlamentares ignoram tais fatos. Certamente, se Beto Richa tivesse ciência demitiria o servidor do seu gabinete como fez na condição de prefeito afastando-o da função por causa da patologia detectada.
Invisível
Segundo Norberto Bobbio, dentre os compromissos não realizados da democracia estão a sua transformação em representação dos interesses e a persistência ainda do poder invisível. Este da Assembleia tem crachá.
Bibliófilo
Cada povo tem o seu José Mindlin: o de Curitiba era Edilberto Trevisan, da Academia Paranaense de Letras, historiador e bibliófilo, ontem sepultado.
Urbs
Bancada de vereadores de oposição foi ao Ministério Público pleitear auditoria na Urbs. Com a maioria conivente é difícil obter qualquer coisa por via parlamentar. Se fosse empresa privada tinha quebrado. Sua congênere de Belo Horizonte, BHTrans, foi considerada ilegal pelo STJ.
Folclore
Numa polêmica sobre questões históricas, o professor Raul Gomes entrou em choque com o jornalista Acir Guimarães. E este escreveu uma linha: ''Até você, Raul Gomes, virou a boca pro meu lado?''. Uma crueldade porque Raul Gomes tinha um defeito com a boca repuxada. Uma vez entrei numa dessas: o deputado federal Hermes Macedo se encontrou com o governador Guataçara Borba Carneiro. Os dois tinham defeitos nos olhos e coloquei: ''Não se sabe do que trataram, mas trocaram olhares significativos''. Imperdoável.





