LUIZ GERALDO MAZZA
Passeio onírico
Há ascensoristas que se acreditam astronautas o que lhes serve a autoestima. Pois no Judiciário há um deles que ganha mais do que um astronauta, R$ 8 mil. Um dia os poderes de Estado retornarão ao planeta Terra, ainda que não se saiba quando. Aliás é mais fácil saber quanto do que quando. A impressão que dá vendo a lista dos marajás é a de que estão em outra galáxia.
Xabu
Recurso judicial contra a greve dos policiais emplacou. Agora uma pergunta coerente: se juízes já fizeram parede no Paraná como podem entender que tiras e agentes, todos da polícia judiciária e de hierarquia menor, estão impedidos?
Pactual
Relações pactuais como a do transporte coletivo-Urbs-prefeitura, passando ainda pelo sindicato dos motoristas e cobradores, operam a todo vapor: fecharam acordo de 4,5% de reajuste, plano de saúde de R$ 40, seguro e ratificação de todas as cláusulas da convenção vigorante entre as quais a da cesta básica (caso merecedor de investigação) e a garantia de emprego (artigo 38 da nova regulamentação) pós-licitação, mesmo com outra empresa assumindo a operação do sistema. Como o aumento vigora já, o furo da Urbs cresce e o subsídio garante.
Má notícia
Com novos critérios do TSE, o Paraná perde um estadual e um federal. Se houvesse um corte pela metade seria bem mais auspicioso. Precisamos de qualidade e não de quantidade.
Folclore
Se há tantos marajás no Judiciário, que deveria ser referência/reverência, não há porque os demais poderes se mostrarem contidos. Privilégio se origina de ''priva lex'', lei privada. Privada que não dá para puxar a descarga.
Gênese
Como nasce um marajá: de posse de uma decisão administrativa ou judicial, que o torna diferenciado, ele passa a ter o direito adquirido e aí fica mais firme do que pedra de prefeitura por mais injusto que se configure. Toda essa onda vai dar em nada, tal qual as prisões teatrais do Brasil. É isso que gera o ceticismo e o conformismo: quanto mais informação (roubalheiras, privilégios) maior a frustração porque nada muda e pouco acontece. Arruda é exceção.
Selvagem
A decisão do Sinclapol em entregar as chaves da carceragem aos delegados é mais contundente do que uma greve selvagem. O governo é um mau mediador, mais incendiário do que bombeiro.
Eduardo
A notícia de que Eduardo Requião sairia do Escritório de Brasília tem uma razão clânica: discute-se em família se ele pode sair a deputado federal quando o sobrinho João Arruda está a pleno vapor. Não é a primeira do Dudu: foi candidato a prefeito de Curitiba quando o postulante do PMDB era o mano mais novo, o Maurício. Teve votação insuficiente para ser vereador.





