LUIZ GERALDO MAZZA
Ganhar sem conflito
O quadro eleitoral do Paraná é o mais bem acabado exemplo da esperteza. A maior parte das estrelas da constelação quer ganhar sem competição. Isso é visível nas candidaturas majoritárias ao governo e ao Senado. Como isso é tão possível como um jogo de pôquer em que todos blefem ao mesmo tempo haverá uma salutar surpresa em benefício da democracia para que as ideações, das simples às mais complexas, sejam afastadas.
A insistência de Osmar Dias, mesmo depois das confabulações com a cúpula do PT e a candidata Dilma Rousseff, em remontar a aliança que elegeu Beto Richa é prova disso. Como, porém, a eleição regional sofre forte condicionamento da de caráter nacional, o senador paranaense, percebendo ainda o curto espaço de propaganda do PDT, sabe da sua dependência das agremiações agregadoras. Não contesta com a veemência, que seria de exigir-se, para essa alegação do seu irmão Alvaro Dias, segundo a qual tiraria o time para evitar um fratricídio político que só desmoralizaria o Paraná como sociedade moderna sujeita a formas clânicas de vida inaceitáveis e que vão muito além do abuso nepotista do governador atual. Parenteralismo aberto, fora de parênteses.
Palanque de Serra
Raciocínio de Alvaro: ungido candidato receberia apoio do PMDB, requianista especialmente, já que boa parte dos quadros veria em Beto Richa uma solução palatável escorada na cristianização de Orlando Pessuti e nessa hipótese seu irmão Osmar disputaria a reeleição no Senado. Como o PMDB tem posição nacional de divergência, ainda que episódica, em função da cabeça-de-chapa com Dilma, o que, aliás, Requião fez aqui como governador em favor do Ângelo Vanhoni do PT por duas vezes. Já o namoro do petismo com Osmar Dias se justifica também na montagem do palanque sólido numa região em que Dilma e os petistas, de um modo geral, nos pleitos nacionais se dão mal.
No Senado também
Das candidaturas postas ao Senado, as de Requião e Gleisi Hoffmann são as mais fortes, como as pesquisas o demonstram. Ambos querem espaço livre para operar: para Requião a candidatura de Gleisi como vice lhe asseguraria uma distância hegemônica afastando uma postulação que poderia, hipoteticamente, repetir com ele o que fez com Alvaro Dias para quem perdeu no olho mecânico.
Os demais candidatos ao Senado também forjam as composições mais estranhas como a de Abelardo Lupion em relação a Osmar Dias por causa da fé no agronegócio e a de Ricardo Barros desejando faturar, ao mesmo tempo, ligações do tempo da aliança macro que elegeu Beto Richa em Curitiba.
O imaginário de acomodação e de pretensão de orquestrar os acontecimentos está presente em tudo. Como o grupo que venceu a convenção do PSDB, ligado a Hermas Brandão, mostra até hoje a fraqueza dos que se opuseram no fato de a bancada majoritária do partido votar com o governo estadual e nele manter até posto secretarial. Esse grupo agora, posto que não seja maioria na direção regional do PSDB, está com Beto Richa e não abre numa flagrante expressão, visceral até, do seu oportunismo. Só tomando um tonel de Engov dá para suportar tanto descaramento e oportunismo. Despolitização programada.





