LUIZ GERALDO MAZZA
Rituais repetitivos
Ao que tudo indica teremos tanto a eleição nacional quanto a regional com caráter plebiscitário, ainda que com segundo turno. Essa redução que ao menos no ponto de vista pedagógico facilita estabelecer matizes diferenciais entre os postulantes não garante verdadeira disputa de doutrinas, já que o marketing comanda o espetáculo, pasteurizando idéias-força em slogans e teasers.
Uma das novidades de Dilma Roussef, certamente para agradar o pessoal do espectro mais à esquerda, para mostrar-se mais avançada que Lula, é a de atribuir ao Estado função mais intervencionista, o que é do agrado tanto de socialistas como de organicistas gramscianos e até de keinesianos. Já os adversários serão primariamente chamados de neoliberais.
Obviamente a classe rentista prefere Lula, que adotou modelo de estabilidade de FHC, a um José Serra, o único no Brasil capaz de intervir seriamente no sistema dos intermediários financeiros e devolver o planejamento ao Estado sem que isso implique em hipertrofia e pretensão de controlar o mercado. Botar esse conflito em ação e de forma inteligente é complicado. Deu para percebê-lo na forma como o PSDB caiu na armadilha das privatizações que afinal Lula não derrogou e que deixou exemplos claros de eficiência na telefonia.
No regional
Já na disputa local, provavelmente entre Beto Richa e Osmar Dias, este cada vez mais próximo do PT e de Dilma, é difícil botar um ar de conhecimento no prefeito de Curitiba por seus 'bom-mocismo' militante e o hábito de responder tudo como se tivesse decorado ou se achasse diante de um teleprompter. Leva jeito de uma fusão de dois personagens de Eça de Queiroz: Acácio e Pacheco.
Osmar, mesmo com todo o empenho dos marqueteiros, deixa transparecer o seu tique truculento, mais do que o próprio Requião. E isso não deriva daquela estória das demissões que petistas (à época eram, por sua militância quase anárquica, além de chatos para a configuração de cricris) sofreram ao tempo de sua gestão na pasta da Agricultura, governo Requião que aliás ratificou as penalidades e agora, muito depois, tenta anistiá-las menos por amor às vítimas do que para constranger seu ex-auxiliar. Que é mais truculento com uma diferença: tem coragem pessoal e física para agir, não foge de parada.
Estilos em choque
Como o tratamento de bom moço vem dando resultados em favor de Beto Richa e colocada a superficialidade como virtude, tal qual indicam as pesquisas, será difícil que Osmar Dias exponha a sua dimensão mais agressiva, menos pactuada e acertada com a maioria como se enxerga em seu adversário. Nem a eventualidade dos debates, até porque extremamente regulados como camisa-de-força, poderia favorecer a melhor definição de estilos comportamentais. A imagem de Beto é melhor ajustada ao conformismo, isso ao gosto das nossas maiorias, e Osmar tenta ''vender'' a figura do homem preocupado com programa, visão de futuro, até porque desde a gestão do seu irmão, Alvaro, o Paraná se desligou de qualquer compromisso com planejamento que inexistiu também com Lerner e o caso de Requião dispensa comentários, a não ser que o caos seja a meta final.





