LUIZ GERALDO MAZZA
A claque como apoio
Governantes se valem muito das claques para aplaudí-los. E vimos nas cenas do Jardim Esperança em Londrina que elas se manifestam não apenas na escolinha onde os aplausos, às vezes frenéticos, dão embalo indispensável às falas do personagem maior. Assim, ao lado dos guarda-costas, expediente que seus antecessores mesmo no regime militar dispensavam, há necessidade dessa câmara de eco como estimulante. Leonel Brizola costumava fazer um teste com sua equipe de assessores, aquela presença de tantos correligionários operava como um estímulo até para gravações televisivas. Requião fez isso até numa entrevista que deu ao assumir o governo pela terceira vez e montou uma claque fortíssima que com gritos e aplausos abafava até a pergunta dos repórteres. Aliás episódio repetido pelo Beto Richa em manifestações públicas.
Em Londrina ficou demonstrado que Requião, à maneira do teatro mambembe, desloca esse tipo de cenário para o interior. Com isso evita situações como a vivida no Sudoeste quando sutilmente sugeriu a agricultores que enfiassem em algum lugar, indicado mas não proclamado, as faixas de protesto que portavam. E aconteceu nesse lamentável incidente de Londrina com a claque tentando evitar que a argumentação dos moradores contra a Estação de Tratamento de Esgotos da Sanepar se tornasse audível no registro da televisão.
Cidadania em ação
Tanto no caso do Sudoeste como nesse mais recente de Londrina e o mais distante de Santa Felicidade quando moradores, irritados com a demora da conclusão do contorno rodoviário, reagiram por uma senhora que assumiu corajosamente o papel da cidadania. Enquanto os que protestam melhoram como expressão política do inconformismo, não se nota a mínima evolução da autoridade que simplesmente se vale da força do poder e agora com o eco dos seus áulicos para operar a técnica do misturador de vozes que emprega como método e de forma sistêmica. Reproduz, enfim, em cenas externas aquilo que é regra mandamental nas sessões interna corporis das terças-feiras.
No balanço disso tudo há a melhora de parte do público, infelizmente ainda numericamente insignificante. Algumas instituições melhoraram no convívio com o governador porque eram permanentemente desafiadas e agredidas, dentre elas a mídia que se porta com razoável senso de dignidade, depois de anos de tutela e de maus hábitos.
Vitimalismo
No teatro da política o governador se mostra prejudicado pela Justiça (é ela que não lhe dá ganho de causa na questão do pedágio e outras demandas), mas é indispensável passar por vítima e justiceiro. Passa-se também por alvo da mídia supostamente mobilizada para atingí-lo. Como a oposição é frágil e sem punch não é capaz de revelar, em extensão e profundidade, os prejuízos que a dinastia tem trazido ao Paraná. Fazê-lo com ele derrotado ou na queda é também expressão desalentada de ausência de coragem e determinação que vemos em atritos como esse de Londrina e que provam a obviedade de que a administração, embora alegue o contrário, não ouve o outro lado nas decisões porque para ele é inexistente.





