Ausência de oposição


Uma característica da nossa política é a de, invariavelmente, não termos oposição. Ela tem sido numericamente fraca e em raros casos compensa essa deficiência com o talento dos mais determinados. Último evento de oposição talentosa foi justamente no momento da ruptura dos anos oitenta com a eleição de José Richa, talvez o mais democrata dos nossos gestores: pelo menos dois deputados estaduais equilibravam com energia a força numérica do situacionismo, Airton Cordeiro e Luis Alberto Martins de Oliveira.
Hoje tanto a bancada oficial como a de oposição, em termos de QI, são muito fracas. Exceções apenas confirmam a regra e com um detalhe novo: a Tv Sinal que dá de dez a zero, como programação e linha isenta, na Educativa, cai de qualidade quando transmite cenas legislativas e cresce nos documentários e nos debates, reportagens e entrevistas.
Os últimos momentos traumáticos da vida legislativa foram os da votação da lei de iniciativa popular que impedia a venda da Copel e antes dele a crise dos dólares (comissões irregulares) que confrontavam os secretários mais importantes de Richa: Erasmo Garanhão e Belmiro Castor. Nas gestões de Requião o legislativo se alinhou e a oposição se revelou frouxa. Vide absurdos ilegais como os da proibição dos transgênicos e da pretensa encampação das empresas, gesto que ficaria melhor num populista de verdade como Brizola.

Anos de chumbo

Na ditadura os partidos autorizados (e tutelados), primeiro Arena e MDB e após PDS e PMDB, tinham limites óbvios e surgiram na sociedade organizada instituições que assumiram o papel de oposição como a Conferência Nacional dos Bispos, CNBB, Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, SBPC, e a OAB, Ordem dos Advogados do Brasil, e Associação Brasileira de Imprensa, ABI, que tiveram papel saliente na deposição de Collor.
Aqui o empenho oficial (e não foi só de Requião, mas também do neysmo) foi o de cooptar federações e sindicatos e até órgãos de controle do exercício profissional como a OAB e o CREA. No governo Richa uma tentativa de colocar o presidente da OAB na Comissão de Alto Nível, que examinava a questão dos dólares, foi repudiada no Conselho da entidade o que mostrava capilaridade no exercício da resistência.

Sociedade 'organizada'


Raramente se dá um caso como o da Fiep, cujo presidente Rocha Loures, acabou se atritando com o governador e que teve peito para disputar a reeleição e a obteve com certa facilidade. O normal é o amém e o não atritar-se e daí não surgem instituições substitutivas dos partidos para agir em nome do princípio do contraditório, essencial à democracia. Sindicatos, entidades de moradores e até mesmo Ongs fazem o jogo oficial em alguns casos um simulacro de sovietes.
Somos um exemplo claro dessa assertiva em Curitiba: Beto Richa e Requião são beneficiários de uma forma de governo que nega a oposição. A postura legislativa no Estado não é diversa da existente em Curitiba na câmara municipal. Essa falta de conflito e vitalidade torna outras instituições como Ministério Público, Justiça e Tribunal de Contas extremamente condescendentes. Londrina é o exemplo contrário, paradigmático.

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