Pensamento-ação

Uma das pretensões de doutrinadores era a de que a exposição do pensamento já implicasse em ação. Normalmente há uma fissura entre pensamento e ação, tensão dicotômica. Zilda Arns é um desses casos em que a pregação pastoral se traduz em prática, fermentação baseada horizontalmente no diagrama das comunidades eclesiais de base, talvez o maior feito de engenharia humana no exercício da caridade e da promoção humana, mais consistente do que uma revolução por sua força, essa sim, autenticamente transformadora, porque centrada no amor.

E até hoje a Pastoral da Criança deu certo porque se trata de uma atuação que dispensa a sempre abominável intromissão dos políticos e não se confunde com o ''assistencialismo'' que normalmente é presente nos movimentos sociais. Essa busca de atendimento integral, que deveria constituir-se em tarefa de Estado, ganhou essa força construtiva que a internacionalizou. Reafirmou também o poder das atuações do voluntariado, exercício de permanente doação.

O compromisso dos engajados é um só: aprofundar as ações missionárias como a forma, também prática, de manter permanente a homenagem à grande liderança que nos deixa.

O ''social''

Se havia ontem, nas homenagens a Zilda Arns, motivo forte e de relevância nacional para colocar o Paraná em destaque como modelo de desenvolvimento social tivemos na rebelião penitenciária o oposto negativo com a exposição daquilo que marca o mundo carcerário hoje minado pelas falange do crime organizado. E o Paraná, que já teve posição de destaque nessa área, apesar do hiato havido com a rebelião de 2001, mostrou-se de corpo inteiro com as suas proclamadas deficiências no front da segurança.

Aquilo que se dá nas penitenciárias - neste caso facilitada pela irracional retirada do corpo de 48 PMs que davam assistência no entorno - é a reprodução do que ocorre nas cadeias superlotadas. E a residência do governador, no Canguiri, fica muito próxima, o que não significa necessariamente maior cautela e preocupação.

Não há como negar validade no que o senador Osmar Dias falou sobre questões sociais no Paraná e na precariedade de investimentos. Esse episódio tem força documental e deixa claro aquilo que sempre destacamos: a defasagem do efetivo policial militar e civil que já se impuzera na barbárie do Couto Pereira.

Radares

E a Consilux ganhou sozinha a licitação dos radares. É a ratificação óbvia das chamadas relações pactuais que aliás se repete em todos os setores. Quem sabe a Urbs nos surpreenda no caso dos transportes coletivos.

Barnabés

O governo instituiu data base para reajustar o funcionalismo (1º de maio), mas como temos eleições a medida deve ser aplicada até o início de abril. É mais um óbice ao reajuste dos barnabés que nunca tem a flexibilidade adotada para o reajuste (irreal) do salário mínimo regional.

mockup