Tom unitário
O unitário, por definição, nega o outro. Não é gratuita a expressão Central Única dos Trabalhadores como nada tem de surpreendente a articulação em favor do salário mínimo regional, irreal e distante de qualquer parâmetro razoável. E adotado sem qualquer debate com os que vão pagar a conta. A reação tardia da Fiep e Associação Comercial é feita em nome dos segmentos que pagarão por essa jogada governista e de traço demagógico. Que os sindicatos embarquem nessa tudo bem, mas o Dieese deveria preservar-se ainda que tenha compromisso com o fator trabalho. Já o Ipardes é apenas o alinhamento normal como o do Ipea, bajulando Lula e enunciando o fim da miséria absoluta no país em 2016, coincidentemente, nas Olimpíadas. Medalha d'ouro.

Centralismo
Se é central, obviamente não é democrático. Centralismo democrático não passa de contradição em termos. Apropriado ao stalinismo e ao fascismo.

Imatura
Antes foi a bronca diante da impossibilidade de transposição, por falta de viadutos e passagens subterrâneas; agora é a inexistência de vagas para o estacionamento. É a Linha Verde, que deu prêmio a Beto Richa, e dor de cabeça aos usuários. É verde, mas imatura. Quando pronta, haverá mais chio.

Emergência
A emergência, como o drama do Haiti, funciona como lubrificante no motor da burocracia: a Polícia Federal estava liberando em 40 minutos, o que leva 48 horas, na concessão de passaporte para bombeiros irem ao país sinistrado. A prioridade se justifica, mas testa em profundidade normas da burocracia.

Açodamento
Setores do PSDB nacional acham que há açodamento, precipitação, na forma como estão colocando a sucessão paranaense sem levar em conta o fator nacional. Um dos óbices é a entrega da prefeitura ao PSB com candidato presidencial. Outro é a circunstância de que José Serra adota uma linha de cautela inteiramente diversa da que pretendem alguns dirigentes regionais em termos de cronograma que já levaram em passado recente uma tunda de Hermas Brandão também por erro de cálculo e soberba.

Fértil
Vem aí mais uma bronca portuária: agora do Terminal de Fertilizantes.

Folclore
Liberalino Estevam fazia poesia parnasiana diariamente. Às vezes fugia da acomodação e atacava alguém porque tinha uma agência de venda de revistas e envolvia a sociedade como clientela. Um dia foi tratado como adventício e nordestino e replicou a ofensa em alexandrino do qual lembro o primeiro quarteto: ''Suporto e finjo que sequer escuto// os impropérios desse vil crioulo// cuja epiderme se lhe deu por luto// e a lingua torpe por fugaz consolo''. Politicamente bem incorreta, mas contundente.

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