LUIZ GERALDO MAZZA
Árvore e floresta
O Arruda, de Brasília, é uma regra ou uma exceção. Para a maioria do público, cada vez com horror maior da classe política, é regra. É o que predomina como se dá também nas entranhas do Senado como se viu em curto espaço de apreciação pela mídia. A resistência da Câmara Legislativa distrital ao ''impeachment'' é a mesma que haveria aqui, caso se tentasse algo equivalente contra Requião no Legislativo ou Beto Richa na Câmara Municipal.
Um dos poucos lugares do Paraná em que a opinião pública é capaz de levar um legislativo a mudar radicalmente de comportamento é Londrina. O movimento da sociedade organizada que derrubou Belinati levou as instituições ao cumprimento do papel que lhes cabe. Em escala nacional tivemos dois momentos de afirmação: a queda de Collor e mais recentemente a da CPMF. Isso, porém, não é a normalidade, marcada pela acomodação e sim uma ocorrência atípica moldada por circunstâncias especiais. Ah, as circunstâncias a que se referia Ortega y Gasset na moldagem dos fatos econômicos, políticos e sociais.
Roubo em silêncio
Em passado recente acoimava-se de ''moralismo tropical'' qualquer referência mais veemente à prática da corrupção como rotina. No Brasil, ante a vitória sistemática dos populistas da frente PSD-PTB, criações de Getúlio Vargas, costumava-se apontar nas denúncias da União Democrática Nacional que tentava e não ganhava eleições e só o conseguiu com Jânio Quadros (a UDN de porre, como se dizia) a cada disputa frustrada ia conspirar nos quartéis como se o Exército tivesse uma espécie de poder moderador. Não dá para comparar em termos de escala, até porque o Brasil se tornou moderno, pós-industrial, o que os sociólogos chamam de ''sociedade complexa'', com aqueles tempos. Dá para imaginar quantas cenas iguais às de Brasília, um transbordamento bem maior do que o caso minimalista dos dissidentes do PRTB no Caixa 2 de Beto Richa, se dão a todo momento em vários pontos desse Brasil continental. É preciso ter um bandido de plantão para filmar tudo e acabar até, apesar do meio comprometido, ungir-se como virtuoso por esclarecer o que ficaria na obscuridade. Já se falou em ''bandido social'' e no Brasil não só o cangaço o configurou mais pelo esforço de ideólogos que fazem a exegese dos eventos a seu gosto e tipo de interesse do que pelos fatos como na Itália se fez de Salvatore Giuliano uma espécie de Robin Hood mais ajustado aos tempos, mais ''pop''.
Marginalidade indispensável
Como estamos entrando em tempo de campanha eleitoral já sabemos que haverá um exército de ''laranjas'' e marginais, o mais das vezes nos partidos nanicos, dispostos ao ''trabalho sujo''. Ninguém os despreza. Ao contrário são recebidos pela hierarquia como plenipotenciários necessários. Vicejam na lama das eleições e, infelizmente, apesar dos avanços, a Justiça Eleitoral perdeu a oportunidade de fulminá-los como se deu com o Ferreirinha ao descurar-se de cuidados mínimos para que o processamento fosse exemplar. O pior é que o fato nem chegou a julgamento em função da ''perda de objeto''. A lei da ficha suja não anda no Parlamento, apesar da pressão da sociedade. Hoje o vilão é herói.





