Vulnerabilidades simbólicas

Canta-se o Hino do Paraná, que poucos conhecem, obrigatoriamente na abertura de jogos de futebol. Ainda ontem, celebração dos 156 anos de emancipação, deu para percebê-lo. Aquilo que no interior se decora tal qual se dá com o hino da cidade ou do colégio não ocorre em escala estadual, embora ensinado, agora com mais perseverança, nas escolas. É preciso ir mais fundo nessas referências: um passo importante foi dado com a providência de levar às escolas o ensino da história e geografia regionais.
Esse ritual na medida certa é importante. No passado, lá pelos anos 40, em função até do ''Estado Novo'', era comum a liturgia do hasteamento/arriamento do pavilhão nacional nas escolas. O hinário - do nacional ao da bandeira e da independência - era cultuado e nas passeatas cívicas tudo se harmonizava.
Discutimos seguidamente o problema da identidade paranaense que obviamente em função do mosaico de influências no território - sul tradicional, oeste-sudoeste agauchado, norte paulista-mineiro - é inseparável da diversidade e se no plano físico nos integramos há muito por fazer no aspecto cultural.

Questão heráldica

No governo Alvaro Dias, com a área cultural entregue ao mestre Renê Dotti, houve um estudo de um grupo de trabalho, coordenado pelo professor Ernani Straub, especialista na área, propondo a revisão dos símbolos, dísticos e brasões por uma declarada incompatibilidade com seus significados. E veio uma proposta de revisão daqueles signos que acabou contestada na justiça e com retorno dos valores anteriores. Como se vê até na expressão semiológica temos um questionamento, o que dá para imaginar as sequelas da questão.
A ave em destaque no escudo é a harpia, um dos maiores falconídeos da América e do qual já se obteve, como possível, em zoos e espaços mais sofisticados, como em instalações de Itaipu, sinais de reprodução. Obviamente a gralha azul é mais forte como ave-tótem por toda a literatura e mitologia a respeito. Dessa não há risco imediato de extinção, embora nossas reservas de pinheiros estejam sendo detonadas como se viu em recente incursão policial no Oeste, na qual se constatou o envolvimento de assentados da antiga Araupel, que era a expressão maior em escala mundial, isso desde o tempo em que pertencia ao grupo Ermírio de Moraes.

Avançar mais

Quanto mais avançarem estudos sobre fauna e flora, arqueologia e até mesmo paleontologia, tanto em instituições acadêmicas quanto nos vários grêmios de investigação histórica e geográfica, estaremos certamente trabalhando pela tão desejada unidade cultural. Há muito por fazer como estudos sobre apropriação coletiva da terra, como se dava nos faxinais ou em empreendimentos mais ousados como o da Colonia Cecília em Palmeira e dos falanstérios de Teresa Cristina no vale do Ivaí criados pelo médico Jean Maurice Faivre. A respeito o jornalista e escritor Luis Manfredini está concluindo um livro em torno dessa experiência e seus significados.

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