LUIZ GERALDO MAZZA
Imobilismo em marcha
Vivemos um mau momento político: além da pobreza de quadros e também, como consequência, de ideias, percebe-se o desinteresse que pode levar uma vez mais ao abstencionismo eleitoral. Osmar Dias pretende algo que há muito não temos: planejamento de médio e longo prazos em cima de uma discussão amadurecida sobre nossos problemas, pontos de estrangulamento da economia, mormente no da infraestrutura portuária, aeroviária, rodoferroviária. O fato é que ninguém toma conhecimento do que se discute nessas reuniões no interior. E Beto Richa, até aqui o mais credenciado nas pesquisas, sorri, posa e nada mais.
É preciso fazer algo para evitar o imobilismo que prospera.
Achou!
O PSC buscou e achou: seu candidato ao governo é o Buskei (Osvaldo).
Mediação
O Ministério Público insiste em preservar as torcidas organizadas e na força da mediação e do autocontrole. Só vai convencer-se de que se equivoca quando o público deixar de ir ao estádio com medo das organizadas.
Sacrifício
Domingos Moro, um dos melhores advogados da área esportiva, troca a candidatura a presidente pela condição de defensor do Coxa. Frase é de muito desprendimento, mas também de forte proselitismo eleitoral.
Folclore
Conferência de Puebla é muito citada. Todavia não impediu que a Universidade Federal negasse as salas para o voluntariado que atende vestiba pobre.
Gráficas
Editoras estão preferindo valer-se das gráficas de São Paulo e interior gaúcho a suportar os preços de Curitiba. Muita gente atribui o fato aos clientes oficiais que pagam alto pelos serviços e os inflacionam.
Radares
É muita coincidência, depois do enquadramento judicial dos termos aditivos entre Urbs e Consilux, a classificação ''técnica'' da empresa na licitação e com a desqualificação das demais. Segue-se agora o aproveitamento da série de acidentes, alguns trágicos, para remotivar a questão dos radares.
Fantasmas
Mais um ato clássico de prestidigitação como os anteriores na questão do enxugamento dos quadros funcionais do Legislativo. Vai sobrar lençol porque tudo leva a crer que os excedentes são efetivamente fantasmas, como é, aliás, da tradição.
Delação
Os coxas-brancas, que não se conformam com a baderna, estão dispostos a identificar, com apoio nas imagens existentes, os autores da façanha que lançou o clube na segunda divisão. Nos anos oitenta a invasão solitária de um torcedor que saltou o fosso para agredir o goleiro Rafael, do Sport Recife, quase joga o time na terceira divisão. Achava-se, no entanto, um herói. Por isso, a delação é vista agora como virtuosa.





