LUIZ GERALDO MAZZA
Conflito incomum
Raro um conflito como o estabelecido desde ontem entre o Tribunal de Contas e uma decisão liminar do Judiciário sobre o Consórcio Metropolitano do Lixo que autorizou a prefeitura a dar o resultado da licitação, cuja vencedora já se sabia de quem se tratava. O TC apreciou apenas a adequação dos termos do edital à legislação, assunto de sua competência, o que aliás já havia feito anteriormente. Isso pode brecar novamente todo o processo, alvo de uma briga de foice em quarto escuro. Há um açodamento notório do prefeito de Mandirituba revogando uma lei, que interditava na cidade a existência de aterros, com um decreto para habilitar-se a sediar o empreendimento. Aliás já na gestão de Lerner no governo se cogitava dessa indicação, contestada por Ongs e ambientalistas, sob a alegação de que iria contaminar dois tributários da bacia hidrográfica do Iguaçu. Dentre eles os rios Mascate e Maurício.
Só na aparência a disputa é elegante e quando passa pelo exame do TC e da justiça. Nos bastidores há grunhidos, tantos os interesses envolvidos e o valor da concessão em dezenas de bilhões.
Nascentes
Uma versão, certamente interessada, como em tudo, sugeria que na área destinada à ''industrialização'' do lixo em Mandirituba há dezenas de nascentes, o que vai excitar ambientalistas.
Siameses
O açodamento legislativo gerou um monstrinho: foram aprovadas em bloco as contas de 2002 a 2004 do ParanaCidade, isso é de Lerner e Requião. Contas siamesas como o nome da empresa.
Cadastrar e castrar
Mania de vereador agora é a de cadastrar clientes de casas noturnas e de futebol também. Dá para imaginar o drama de maridos e esposas infiéis. Na hora, porém, de saber quem são seus assessores eles se escondem como faz o presidente da Casa. Cadastrar demais pode ser equivalente a castrar: castra-se a cidadania. E faz-se isso com a ocultação de assessores como se dá também no legislativo estadual.
Coincidência
Não é coincidência fazer licitações em cima de festas de fim de ano? Está longe de ser um referencial e austeridade.
Folclore
Embora moderno aparentemente, o Paraná tem coisas dinásticas: como o Carli Filho, aquele do acidente, não pode e nem deve concorrer, quem disputa o espaço é o irmão e pelo PSDB. E isso se já não bastassem os exemplos de Beto Richa e de Requião com familiares no governo.
Massacre
Para cada grupo de 23 presos no Rio há morte de um. Nos Esteites a relação é de 37 mil por um morto na ação policial. Como está Curitiba na morbidez dessa estatística deve ser bastante selvagem.
Curitiba-Rio
Barbárie foi grande no Couto Pereira, mas no Rio, nas festas do Mengo, houve centenas de arrastões e pelo menos dois homicídios.





