PMDB responde

O programa eleitoral do PMDB foi uma resposta aos discretos resmungos do encontro de Curitiba: o partido está unido, engajado no governo e isso porque tudo o que se faz no Brasil em termos de redução da exclusão e de notórios avanços econômicos está na doutrina e na história da agremiação, conforme a versão interesseira. Na verdade a reunião havida no Paraná não deu mostras de vitalidade e como o PMDB sulista delegou a Requião, como candidato presumível, a tarefa de contestar o acordo com o PT, resta que o político paranaense se saia bem no seu papel.

Se ele tivesse vocação para Don Quixote, o cavaleiro da triste figura, daria para aprofundar a luta contra as decisões de cúpula, aquela história de não ouvir as bases que tanto pratica por aqui. Mas Requião está mais, até pelo porte físico, próximo de Sancho Pança, sem falar nas questões de conteúdo, e não lhe assentaria bem a missão. O PMDB é hoje uma expressão clara de fisiologia ao contrário daqueles anos em que era viável a dicotomia com os ''autênticos'', o que nem sempre, como se dá no risco dessas reduções, era minimamente verdadeiro e em alguns casos os tidos como de direita e conservadores eram bem mais aceitáveis e honestos do que os aureolados da boa causa, os iluminados.

É uma oportunidade de ouro para Requião exercer as suas artes cênicas, afinal tão treinado está nas sessões da ''escolinha'', para expressar-se como o ator inspirado para combater as maiorias por amor a causas nobres. Basta reduzir o tom brega - e já que tem inclinação pelo melodramático - buscar o modelo de Vitório de Sica em lugar do de Rossano Brazzi. Como ator, é claro.

Confirma

No dia 1º dirigentes sulistas do PMDB registram a candidatura de Requião e na sequência ele dá entrevista coletiva buscando ampliar a dimensão do ato. Tudo isso sem abrir mão da ''escolinha'', afinal o ''aquecimento'' para entrar em campo. Depois dessa só falta a queda dos times paranaenses para a segundona, enquanto ele tenta, pela terceira vez, a primeirona.

Ruinzinho

Ficou provado que para debate Beto Richa é ruinzinho. Na Faep ele atacou o pedágio e a gestão dos portos e aí o Pessuti lembrou que ele era solidário com a privatização do Banestado e da Copel. Já Osmar Dias afirmou que a lealdade é fundamento-chave da política para criticar de forma indireta o Beto e Alvaro disse que um candidato a governador tem que no mínimo entender de agricultura. Um festival de cutucões no preferido das pesquisas, que vai mal quando não consegue falar como se estivesse diante do teleprompter.

Subiu

Preços de visitação no Parque Nacional de Foz do Iguaçu subiram 75%. Um dos beneficiados é o empresário Salomão Soiffer, sócio do Terminal de Contêineres no Porto e candidato a uma das empresas que querem explorar o lixo da capital.

Folclore

Curitiba fede mais do que a Dinamarca no texto shakespeareano ''Hamlet''.

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