Deserto de atores
Quando a mediocridade se torna sufocante no exercício da política tende-se a duas posturas de risco: o ceticismo aberto e a ''idealização do passado''. Não temos um só personagem com o perfil de estadista do padrão Munhoz da Rocha, Acioly Filho, Ney Braga, Parigot de Souza e Hosken de Novaes. Não se trata de uma visão carlyleana da história, reduzida ao pragmatismo de heróis e vilões, mas se torna impossível cortejar a pobreza de hoje com a vitalidade de ontem que consagraria o Conselheiro Zacarias de Goes e Vasconcellos como aquele que maior expressão desfrutou em nossa história como presidente do Conselho de Ministros, ministro da Marinha e governador provincial de várias unidades.
Pode-se esperar o contrário das candidaturas aí colocadas, provavelmente as de Beto Richa (ou Alvaro, essa mais remota) e Osmar Dias. Aproximam-se eles de qualquer dos referenciais até mesmo de um mais singelo, todavia rompedor de paradigmas, como Manoel Ribas ou Moysés Lupion?

Talento inútil
Não se pode negar os talentos de Roberto Requião, seja na montagem de cenários em que ele vai preponderar ou na articulação verbal, mas o efeito demonstração é mínimo. Está visível a ausência de governo nas revelações do IBGE relativamente ao PIB nos últimos anos com queda assustadora e um sinal de pequena recuperação, ao menos no nível do ''status quo ante'', em 2007. Sinal de ausência absoluta de planejamento (o último que tivemos foi com José Richa e enriquecido pelo empenho pessoal do governador em fazê-lo participativo, isso é com o alinhamento da chamada sociedade organizada) e carência, o que é marca dos últimos governos, de representatividade.
Se Requião tivesse criado um mínimo de corpo de doutrina para seus lances de suposta ruptura (guerra às parcerias público privadas, expressa no pedágio e nas demandas portuárias, combate às multinacionais como a Monsanto, emulação entre o público e o privado) teria certamente melhor êxito nas investidas tão frustrantes quanto inócuas. Apesar do radicalismo das propostas não obteve um retorno adequado por ausência de credibilidade e consistência nos projetos.

Outro plebiscito
Plebiscitos, isto é, situações eleitorais reduzidas a duas alternativas, não têm sido suficientes para exaltar os atores políticos. Deu-se em Curitiba e também em Londrina nas disputas locais com as vitórias recentes de Beto Richa e Barbosa Neto, essa prejudicada pela esmagadora conquista de Belinati que acabou não valendo. E nas de Lerner contra Alvaro e Requião, também reduzidas a uma polarização incontrastável, não houve qualquer ganho teórico e o prático ficou no avanço industrial com o advento das montadoras combatidos ao extremo pelos senadores Mello e Silva e Osmar Dias. Tal se pode repetir do choque entre Requião e Alvaro Dias e o mais recente contra Osmar que nada acrescenta à cultura política, face a mediania dos litigantes e do debate que parece ter ignorado a realidade que supostamente pretendiam mudar.
Lamentavelmente isso tende a reprisar-se com maior fragilidade ainda e com o predomínio da prestidigitação circense dos marqueteiros, vaga, inócua.

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