Assunto encerrado

Para o governo Lula, embora não explicado, o apagão é assunto encerrado. E o pesquisador do Instituto Nacional de Atividades Espaciais que refutou a tese dos raios como causadores da pane em Itaipu já foi desautorizado e a entidade vai dar o parecer na outra semana, provavelmente diverso. O engajamento é a marca dos governos populistas montados na burocracia empresário-funcional que ocupa todos os aparelhos de Estado. Até uma organização como o IPEA está hoje alinhada e só falta fazê-lo, o que seria estarrecedor, com o IBGE a a Fundação Getúlio Vargas.

Alinhamento obrigatório

Os milicos também agiam assim nos anos de chumbo e com as vantagens do efeito - demonstração dos maiores avanços do PIB, em proporções chinesas, que afinal facilitavam a imposição do pensamento oficial como expressão inspirada - quase da graça religiosa- da verdade. A competência do PT para maximizar as coisas é visível na ocupação do aparelho estatal e também no ''mensalão'' onde levaram à progressão geométrica o arreganho tímido do PSDB em Minas Gerais para ajudar o Azeredo, uma espécie de lançador do Marcos Valério e suas artes.
O bordão ''assunto encerrado'' tem o sentido de bloqueio e censura e menos arte e talento do que ''o futuro a Deus pertence'' do Armando Falcão.

Do apagão à 'marolinha'

Outro dia essa excelente figura, que é o ministro Paulo Bernardo, no sentido também do alinhamento extremo, o de botar inteligência e talento num saque de pura vacuidade, disse que Lula tinha acertado quando disse que a crise mundial no Brasil seria nada mais nada menos que uma inexpressiva ''marolinha''. Claro que o fazia como alinhado politicamente porque tecnicamente, pelo conhecimento que tem como bancário, está mais do que informado que estivemos diante de uma catástrofe que se seguiu à quebra do banco Lehman Brothers no fim da primeira quinzena de setembro ano passado. Seguiu-se em dezembro um ataque especulativo que provocou uma corrida com saques de até R$ 40 bilhões em apenas uma semana em bancos pequenos e médios. Contratos das empresas exportadoras com derivativos cambiais chegaram a US$ 38 bilhões e que resultaram em prejuízos, partilhados com os bancos, da ordem de US$ 10 bilhões.

Detalhes dessa epopeia e da resistência do núcleo duro do Banco Central só agora foram conhecidos com uma publicação do ''Valor Econômico''. Houve até um momento em que cogitaram, imaginem o risco, de substituir Henrique Meirelles no BC, velha obssessão da esquerda populista, pelo economista Luiz Gonzaga Belluzzo, que se tivesse a aura que o acompanha no Palmeiras no campeonato nacional levaria o país aos trancos e barrancos.

Levamos tempo para saber do que houve nos bastidores e com o tipo de democracia que temos corremos o risco de pouco saber do apagão como a milicada fez com a supressão das notícias de mortes por meningite. A nossa fé é só a resistência dos inconformados, capazes de furar todos os bloqueios.

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