LUIZ GERALDO MAZZA
Males do triunfalismo
É tonalidade afetiva de nossa cultura o ufanismo. E ela permeia todos os campos da vida nacional. Da mesma forma que se maximiza feitos brasileiros, tal se dá, e aqui com intensidade especial, normalmente desligada do real, no plano regional. Requião, por exemplo, dizia que o secretário de Educação, na coincidência seu irmão, Maurício, era o melhor do Brasil; que a nossa polícia, especialmente a militar, também saia à frente do ranking e assim por diante. Duas estatais, Copel e Sanepar, davam de dez a zero nas demais, o que está inteiramente distante da realidade.
Quando há um ranking nacional feito por órgãos independentes e técnicos como IBGE e Fundação Getúlio Vargas ou ainda referenciais da macroeconomia o governo deles se apropria e faz como seus antecessores também agiam, atribuindo-se tais méritos como se tivéssemos ainda o Estado indutor e fosse mínima a intervenção do povo e empresariado como geradores principais.
Exemplo automotivo
Mal implantado o parque automotivo ao tempo de Lerner, precedido da Volvo e da New Holland, dizia-se que éramos o segundo polo do Brasil. Repetido à exaustão, dava-se o fato como consumado quando, na verdade, tal credenciação é de Minas Gerais com o parque da Fiat.
E o fracasso, o grão que não se fez pipoca, da Chrysler em Campo Largo não foi suficiente para conter a euforia. Uma das sequelas da malha produtiva, sob risco, era a Tritec, o que felizmente está superado, de certa forma restabelecendo no município a confiança numa nova etapa industrial que não se limitasse à avançadíssima cerâmica.
Somos cativos dos slogans. Paulo Pimentel, quando candidato, lançou aquele de que seríamos o segundo Estado do Brasil. Na realidade, em múltiplos aspectos, não chegamos nem ao segundo no Sul, perdendo tanto em indicadores econômicos como nos sociais de gaúchos e catarinenses.
E a Copel?
Se não dá para comparar a Sanepar com a Sabesp, a maior da América do Sul, é impossível qualquer analogia entre a Copel e a Cemig, Centrais Elétricas de Minas Gerais, que só perde da holding da Eletrobras, respondendo com suas 63 usinas e geração de 6,7 mil MW (6,4% do total do Brasil). Ano passado lucrou R$ 1,88 bilhão, já investiu nos últimos cinco anos R$ 4,9 bilhões em cinco aquisições de empresas em vários pontos do país e no exterior. Opera em 19 Estados, comprou o total da italiana Terna e detém 25% das ações de controle da Light. Suas ações (Brasil, Nova York, Espanha) valem mais de R$ 20 bilhões. Óbvio que não tem termo de comparação com a Copel que é tão descuidada, devido ao governo tempestuoso que temos (anunciou que a Usina de Gás de Araucária, hoje operada pela Petrobras, iria explodir e que a barragem de Salto Caxias romperia), que não tomou cuidados formais com seu empreendimento atual, a Usina Mauá, ao ponto de a Assembleia Legislativa pretender a interrupção das obras porque o governo não pleiteou em tempo hábil a licença. Nada disso impede que se diga que ela é a melhor do país no discurso oficial. Estatização mineira é incomparável com a nossa, que ficaria bem na oratória requiônica.





