LUIZ GERALDO MAZZA
Tsunami verbal
Tudo que há de ruim no Paraná para Requião nós o devemos ao seu antecessor. Assim ele se referiu à condenação pela OEA dos grampos numa cooperativa dos sem-terra autorizados pela justiça. Esqueceu que o mesmo organismo de Direitos Humanos o condenou como responsável indireto pela morte de três PMs e a execução pela corporação do líder sem-terra Teixeirinha em Campo Bonito no seu primeiro governo.
Destacou como abominável o fato de a polícia ter gravado o papo do MST e também, talvez por um mecanismo psicológico de compensação, não se recordou de que em nenhuma administração estadual houve tanta celeuma junto ao Ministério Público e Poder Judiciário por causa de ''grampos'' e que levou à prisão por quase um ano o investigador Délcio Rasera que estava lotado na Casa Civil. E essas gravações, obviamente, não tinham respaldo judicial.
Mas os transbordamentos não se limitaram a esse vexame: houve o pior quando, grosseiramente, tentou constranger um técnico do Instituto Agronômico do Paraná, que, com a maior naturalidade, explicava que a instituição estava sem quadros; foi um caso clássico de assédio moral ao chamá-lo de ''japonês'', ''gafanhoto'' e ''Kung-Fu'' e ameaçá-lo de demissão. Boa parte da plateia ria das grosserias como se elas fossem educativas e não uma tortura moral.
Fugir do foco
Ficou visível que as críticas a Lerner e a sua polícia foram uma espécie de ''ato falho'' em razão das mais recentes chacinas e do toque de recolher dos traficantes de Uberaba, desafio intolerável evidenciado em fotos na mídia e que implicaram em esvaziamento de escolas e templos religiosos.
Porto de novo
Agora o afundamento de um rebocador de pequeno porte, o TWB Marine 1, a 6 km do berço de atracação, bota o Porto de Paranaguá em destaque, tal qual quando explodiu o silão público na primeira gestão, o incêndio do navio VicuÀa que mostrou a administração portuária sem plano de contingenciamento e com grave poluição na baía na segunda gestão e agora mais esse incidente. Urge uma chuva de água benta sobre os terminais.
Driblador
Romanelli não dribla apenas praças de pedágio, parece um Garrincha fintando a realidade nas suas acrobacias para defender o governo que se esvai. Apelava a uma retórica tosca para justificar o bloqueio sistemático à convocação do secretário de Segurança na Assembleia. Aí a repórter Denise Melo, da Banda B, concluiu ''quer dizer que o secretário só vai aparecer quando não houver nenhum problema na Segurança?'' Nilton Santos driblou Garrincha.
Folclore
Semana passada foi o secretário de Saúde que com elegância repreendeu o governador e ontem chegou a vez de um técnico do Iapar. Ninguém pensa em ser o próximo a corrigir o chefe. Mas se a moda pega, a situação embrulha.





