E os planos, as ideias?

Está precipitado o processo sucessório, mas pelo jeito teremos um repeteco das últimas campanhas com a supremacia visível da superficialidade tão a gosto dos marqueteiros, hoje os alquimistas da área. E nesse quadro é surpreendente que apenas o postulante Osmar Dias se fixe tanto na ideia de um programa comum que una partidos e pessoas em torno das questões paranaenses.

Olha-se até com uma dose de ceticismo essa formulação porque normalmente as bandeiras da doutrina partidária são tão parecidas que se torna difícil desvendar-lhes a identidade. Todavia se o senador Osmar Dias concluiu que é indispensável essa plataforma comum centrada num plano é porque se convenceu de que faltou isso no pleito em que levou a pior, por mínima diferença, de Requião.

A aliança gigante, que elegeu Beto Richa e da qual era um dos principais suportes, esteve longe de buscar convergência num programa e sim nas condições excepcionais do prefeito, da sua imagem, do seu programa de obras. Nada mais.

Exemplo do irmão

Uma das campanhas, realmente precedida de ampla avaliação dos problemas paranaenses, foi a do seu irmão Alvaro Dias. Fez-se um estudo aprofundado e genérico sobre a realidade regional, seus gargalos e a forma de superá-los.

Era uma espécie de ''vade-mécum'', que surgira da arregimentação que elegera José Richa e na fase auspiciosa de um PMDB em ascensão, ainda sem a dissidência que iria depauperá-lo do PSDB. O entusiasmo foi de tal ordem que no fim da gestão o governador tentou até a prévia nacional do partido, com claque numerosa em Brasília, na qual acabou figurando em quarto e último lugar abaixo de Iris Rezende, Valdir Pires e Ulysses. Juntaram o primeiro e o segundo lugar para a chapa, derrotadíssima, de Ulysses-Valdir.
Com Richa já havia acontecido algo semelhante naquilo que chamavam de ''Diretrizes''. Depois apenas a de Lerner. na primeira eleição, teve um ordenamento de propostas.

O último choque

A eleição entre Requião e Osmar foi de uma pobreza franciscana em relação ao que se poderia chamar de projeto. Tanto para a exaltação como na hostilidade prevaleceram questões puramente personalistas e ainda com a colaboração dos ''laranjas'' de partidos nanicos para bloquear qualquer forma de pensamento. A sedução pela simplificação marqueteira se sobrepõe até nas disputas nacionais e dificilmente isso deixará de ocorrer.
Também a aposta do PSDB na imagem juvenil e supostamente dinâmica de Beto Richa praticamente exaure tudo, tal qual se deu na sua reeleição na Capital.
Haverá o esforço de desconstrução, às vezes partindo de denúncias do Caixa 2 como aquela que ganhou a tv nacional com os dissidentes do PRTB e certamente contra Osmar os seus vínculos ao agronegócio e à condição, afinal vaga e que nada tem a ver, de presumido latifundiário.

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