LUIZ GERALDO MAZZA
O amor ao conflito
O conflito é o ecossistema do nosso governador. Como houve nas discussões sobre a finalidade última da arte aquele debate entre a manifestação idealizada, tida como ''arte pela arte'', e a utilitária voltada para um objetivo de arregimentação ou denúncia ou simplesmente posta a serviço de emitir juízo de valor sobre a vida, também percebemos em muitas das ações de Requião algo bem próximo da busca do ''conflito pelo conflito''.
Em muitas delas esse objetivo se oculta, mimetiza-se, em suposto alvo social como no caso do pedágio que pela insistência nos métodos dá a impressão de que mantém o ''status quo'' para sustentar a face de justiceiro. Como o Judiciário tem rechaçado por método e de forma sistêmica as tentativas de derrubar a medida, por imposição contratual, vale-se das ocorrências novas como a metodologia mais recente nas rodovias federais de tarifa mais baixa que ele e não o aparato judicial é que está com a razão.
Outro conflito, o dos transgênicos, igualmente se louva numa decantada preocupação com a saúde e o meio-ambiente e apesar das derrotas sucessivas é mantido como bandeira. No caso com forte viés fundamentalista.
Água no chope
Se essas ideações - o combate ao pedágio e aos transgênicos ou multinacionais como no caso da El Paso na usina de gás de Araucária ou a Syngenta- servem de sustentação a bravatas para exibí-lo como ''nacionalista'' essa mais recente de manter o expediente do funcionalismo no dia da padroeira da cidade, depois de amanhã, tem a conotação clara de provocação ainda que com uma certa roupagem de austeridade e do exercício da autoridade. Água no chope do feriado sequencial.
Nesse particular, o de crer-se capaz de levar a intimidação a uma categoria, nada supera aquele absurdo de acumular a condição de governador com a de secretário de Segurança que o texto constitucional fulmina como suficiente para perda de mandato. Em nome de alegada cruzada contra o que chamava de ''banda podre da polícia'' manteve esse clima e até agora não se viu um resultado positivo dessa pedagogia, pois, ao contrário, os casos de desvios persistiram e pouco significou para motivar a corporação a superar suas deficiências materiais e humanas, reafirmadas numa estatística tenebrosa de assassinatos em massa e de dificuldades extremas para solucionar crimes.
E a reação havida da parte dos sindicatos das empresas estatais é exemplar porque revela um sindicalismo disposto a não acomodar-se e a agir como manda o espírito da corporação. É evidente que os estatutários, embora igualados em direitos com o pessoal da administração indireta, tirando o caso específico dos professores (pós-graduados em greves e pressões, mas no caso pressionados sob o fundamento da recuperação de aulas em razão da pandemia), não têm essa cultura. Por uma via oblíqua, sem desejá-la, Requião proporciona mais democracia. Como aconteceu com a Fiep e com a mídia de um modo geral.





